Alexandre Rocha, enviado especial
alexandre.rocha@anba.com.br
Casablanca – A corrente comercial entre o Brasil e o Marrocos pode chegar a US$ 1 bilhão em 2008, se os empresários dos dois países de empenharem em ampliar os negócios. A opinião é do presidente da Câmara de Comércio, Indústria e Serviços de Casablanca, Ahmed Qammous, que ontem (28) recebeu na sede da entidade os integrantes da delegação brasileira que está em missão comercial ao Norte da África. "Se trabalharmos bem, podemos chegar a isso ou até mais", disse Qammous à ANBA, após a realização de um seminário sobre oportunidades de negócios entre o Brasil e o país árabe. A missão é organizada pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pela Agência de Promoção das Exportações do Brasil.
Neste sentido, Qammous conversou com o vice-presidente de marketing da Câmara Árabe Brasileira, Rubens Hannun, que lidera a missão, sobre a possibilidade de levar uma delegação de empresários marroquinos ao Brasil no próximo ano. "É possível aumentar o comércio por meio de um acordo entre as duas entidades", declarou. "Isto vai facilitar o conhecimento e a troca de informações empresariais", acrescentou. Em 2006, a corrente de comércio entre os dois países ficou em US$ 722,6 milhões, entre exportações e importações.
Na abertura do seminário, o presidente da Câmara de Casablanca disse que há espaço para ampliar as relações econômicas. O Brasil pode usar o Marrocos como plataforma de exportação, pois além da posição estratégica, na África, a 14 quilômetros da Europa e próxima ao Oriente Médio, o país tem acordos comercias com a União Européia, os Estados Unidos, Turquia e alguns dos países árabes. "O Marrocos concede facilidades para a entrada de investimento e tem um programa de liberalização da economia que inclui privatizações e diminuição das taxas de importação", afirmou.
Na mesma linha, Rubens Hannun acrescentou que o Brasil pode servir de porta de entrada para os empresários marroquinos aos demais países do Mercosul (Argentina, Uruguai, Paraguai e Venezuela). Ele lembrou também que o Brasil faz fronteira com quase todos os países da América do Sul, com exceção do Chile e do Equador.
Aos empresários brasileiros e marroquinos presentes na conferência, Hannun disse que o Brasil tem a maior e mais diversificada base industrial da América Latina, além de 22% da terra arável do mundo, grande potencial turístico e uma população de 188 milhões de habitantes. "E todos os habitantes são pessoas que acham que sabem tudo sobre futebol", brincou.
Na mesma linha de Qammous, Hannun defendeu a realização de mais missões comerciais e a participação do Brasil em feiras de negócios no Marrocos, além de ampliar as relações nas áreas cultural e esportiva que, em sua opinião, ajudam a ampliar o comércio. "Já fizemos muito, mas ainda há muito a fazer", declarou.
O vice-presidente da Câmara Árabe falou também sobre a situação macroeconômica do Brasil, que tem um Produto Interno Bruto (PIB) de mais de US$ 1 trilhão, o que o coloca entre as 10 maiores economias do mundo, inflação sob controle, tratamento igualitário para investidores nacionais e estrangeiros e livre remessa de lucros ao exterior.
Hannun lembrou também da grande comunidade de origem árabe residente no Brasil, estimada em 12 milhões de pessoas, entre imigrantes e descendentes. Ele destacou também os serviços prestados pela Câmara Árabe, como análises comerciais e consultas, certificação de documentos, traduções, desenvolvimento de mercados, promoção de eventos como feiras e missões, trabalhos de marketing e a própria ANBA.
Ele ressaltou ainda que as empresas e entidades setoriais que participam da missão representam segmentos importantes da economia brasileira. São companhias dos ramos de frutas, sucos, componentes para calçados e artefatos, equipamentos médicos e odontológicos, alimentos prontos para o consumo, insumos para a indústria alimentícia, lácteos, equipamentos para irrigação, metais sanitários, ferramentas, móveis e material de construção.
O analista de projetos da Apex, Ricardo Santana, acrescentou que as empresas têm plenas condições de atender à demanda do mercado marroquino com produtos de qualidade a preços competitivos. Ele acrescentou que a Apex, em todos os seus projetos, atua em parceria com 400 companhias de 55 setores diferentes.
Também no seminário, o cônsul honorário do Brasil em Casablanca, Azzedine Kettani, disse que as relações econômicas entre o Brasil e o Marrocos geram "enormes possibilidades de cooperação Sul-Sul".
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Após o seminário, as empresas brasileiras – estão representadas 24 companhias e entidades setoriais na missão – participaram de uma rodada de negócios com empresários marroquinos, ao todo 30 que compareceram ao evento.
À tarde, a delegação brasileira foi conhecer pontos-de-venda de Casablanca: o supermercado Marjane, o atacadista Metro e a loja de material para casa e construção Mr. Bricolage. Nesta última, os empresários foram recebidos pelo diretor da loja, Najib Nejda.
A Mr. Bricolage é uma companhia franco-marroquina, sendo que o 80% do capital é marroquino e 20% francês. Por enquanto há apenas uma loja, mas outra deve ser inaugurada no próximo ano e mais três até 2010. Cerca de 80% dos produtos que ela vende são importados.
Diante das perspectivas de ampliação, Nejda disse à ANBA que acredita na possibilidade de importação direta de produtos brasileiros. Ele ficou interessado, por exemplo, nas torneiras e metais sanitários produzidos pela Perflex, representada na missão por Paulo Roberto Cavalcante, que também representa a PMAN, fabricante de insumos para a indústria de panificação.
"O produto brasileiro tem boa imagem. Acredito que os negócios podem caminhar, já que nosso consumidor gosta de produtos europeus e também de outros continentes, mas não das mercadorias chinesas", disse. Assim como no Brasil, os importados da China também inundam o mercado marroquino.
Ele mostrou interesse também em produtos para jardinagem oferecidos pela Braseco, das ferramentas fabricadas pela Starret e se surpreendeu com o design dos móveis da Movexport, consórcio de indústrias de Ubá, em Minas Gerais.
Hoje a delegação brasileira vai passar o dia todo em rodadas de negócios agendadas previamente com empresários marroquinos, no Hotel Hyatt Regency de Casablanca. No domingo, o embaixador do Brasil no Marrocos, Carlos Alberto Simas Magalhães, fez uma recepção para os empresários, no hotel, e falou sobre o potencial do mercado local.

