Alexandre Rocha
e Mark Ament
São Paulo – As construtoras brasileiras Norberto Odebrecht e Andrade Gutierrez vão participar da quarta edição do Salão Internacional de Obras Públicas da Argélia (SITP, na sigla em francês), que começa hoje (28) e vai até quinta-feira em Argel, capital do país árabe. Elas estão de olho em um mercado bilionário. De acordo com o ministro argelino de Obras Públicas, Amar Ghoul, somente durante o evento serão apresentados projetos que somam US$ 23 bilhões.
A Andrade Gutierrez será representada por sua subsidiária portuguesa, a Zagope. Segundo o diretor comercial da empresa na Argélia, Djilali Mousserati, a idéia é mostrar as obras executadas pela companhia na Argélia, em outros países da África e na Europa.
A empreiteira já ganhou duas licitações na Argélia este ano, uma para erguer uma barragem na província de Jigel, na região Nordeste do país, e outra para construir uma nova pista no aeroporto de Orã, cidade litorânea localizada a oeste de Argel. De acordo com Mousserati, atualmente a Andrade Gutierrez, por meio da Zagope, participa de uma série de outras concorrências de obras públicas.
A Odebrecht também quer mostra do que é capaz. A empresa não tem nenhuma obra na Argélia hoje, mas atua no mundo árabe. Ela participa da construção da segunda pista do Aeroporto Internacional de Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, e da segunda fase das obras de um porto no Djibuti, pequeno país árabe localizado na região do Chifre da África. No último caso, ela foi contratada pela DP World, operadora de terminais marítimos que pertence ao governo de Dubai. A Odebrecht já atuou também em obras no Kuwait e no Iraque.
De acordo com informações da organização da SITP, 160 expositores, sendo 56 estrangeiros vão participar da feira. Segundo a agência de notícias Algérie Presse Service (APS), além do Brasil, vão marcar presença companhias da França, Itália, Tunísia, Turquia, Alemanha, Inglaterra, Egito, China, Japão e Portugal, considerando-se a Zagope como uma empresa portuguesa.
O evento será voltado para oito segmentos principais: estudos, obras executadas, infra-estrutura técnica, equipamentos, tecnologia, material de construção, treinamento, gerenciamento e exploração de infra-estrutura.
Das 104 companhias argelinas que vão expor, 71 são privadas. A feira vai ocorrer em um espaço de 4,5 mil metros quadrados. Ainda de acordo com a APS, o ministro Amar Ghoul disse que serão apresentados empreendimentos considerados prioritários pelo governo argelino, entre eles duas mil obras em estradas, 500 obras de infra-estrutura portuária e aeroportuária e 150 estudos técnicos.
Capitalizado pelas exportações de petróleo, o governo da Argélia lançou um plano qüinqüenal (2005-2009) que prevê investimentos de US$ 60 bilhões em setores considerados essenciais, como infra-estrutura, habitação, saúde e educação. As áreas de infra-estrutura e habitação devem ficar com metade desse valor.
Perfil
Localizada no Norte da África, a Argélia é a segunda maior fornecedora de petróleo para o Brasil, atrás apenas da Nigéria. O país tem na indústria petrolífera sua principal fonte de divisas. De acordo com informações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, o produto interno bruto argelino chegou a US$ 90,6 bilhões no ano passado. A população é de 32,8 milhões de habitantes.
As exportações da Argélia para o Brasil somaram US$ 1,8 bilhão entre janeiro e outubro deste ano. Além do petróleo, o Brasil importou também naftas, propano liquefeito e fosfatos. Na outra mão, os embarques de produtos brasileiros para o país árabes renderam US$ 383,6 milhões, sendo que as principais mercadorias da pauta são açúcar, carne bovina, óleo de soja, tubos para a construção de oleodutos, automóveis e tratores de lagartas. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior do governo brasileiro.

