Cooperativa lança primeira criptomoeda lastreada no café

A Minasul, segunda maior cooperativa de cafeicultores do Brasil, lançou o Coffee Coin. Criptoativo é primeiro do mundo lastreado no café verde.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Uma das maiores cooperativas de café do Brasil, a Minasul, lançou a primeira criptomoeda lastreada em café do mundo, o Coffee Coin. A moeda foi ao ar nesta quinta-feira (1º) e está sendo negociada através da Exchange Stonoex, uma plataforma especializada. Cada Coffee Coin equivale a um quilo de café verde tipo commodity.

Por ser um grão regulado diariamente pelo mercado, o valor equivalente do Coffee Coin também seguirá essa base comercial do café. Os dados da moeda são atualizados através de um token adquirido pelos interessados no investimento. A Minasul é a responsável pelo lastro dessa moeda e é o estoque da cooperativa que garante o volume de Coffee Coins no mercado.

O diretor de Novos Negócios da Minasul, Luis Henrique Albinati, explica que o negócio é considerado stablecoin, ou seja, uma moeda estável por ser ligada a um ativo real. “Como a moeda está vinculada a um ativo real, nesse caso o café, ela se torna muito mais segura. O Coffee Coin tem um piso mínimo, ele sempre vai equivaler ao preço do café cotado no mercado. Por outro lado, seu valor não tem ‘teto’, ele pode subir bastante no chamado mercado secundário, onde as pessoas comercializam de uma criptomoeda para outra”, disse ele à ANBA.

Com um Coffee Coin na carteira digital, o investidor pode, além de negociar com outras moedas, vendê-lo por dinheiro físico ou trocar o ativo pelo café in natura. Na segunda operação, no entanto, a Minasul estabeleceu um mínimo de Coffee Coins que equivalha a 1.500 quilos de café verde.

Outros tipos de stablecoin são moedas lastreadas em dólar ou ouro, como é o caso da Golden Coin. “É uma ótima oportunidade de investimento para quem buscar liquidez ou para fazer investimento de longo prazo. Não vai ter mesmo ganho do bitcoin porque o spread é menor. O Coffee Coin é um investimento que considero seguro e conservador”, detalhou o executivo.

Albinati acredita que a novidade seja uma opção, inclusive, para investidores estrangeiros. Já no caso de importações, o diretor acredita que a compra no mercado de café siga como melhor caminho. “No caso dos árabes, é um mercado que muito nos interessa, estamos tendo reuniões com o Ministério da Agricultura sobre o mercado saudita. Eles ainda conhecem pouco o café brasileiro e a ideia é promover o produto lá. Para eles, vale a pena pensar na Coffee Coin como opção de investimento. Já para a compra, as operações em dinheiro físico podem ser melhores, já que a criptomoeda tem o preço do café como base, mas pode valer bem mais”, afirmou.

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A criptomoeda lastreada em café vem sendo desenvolvida desde 2019, mas a cooperativa investe em projetos tecnológicos pelo menos desde 2016. A iniciativa anterior havia sido o lançamento do ‘barter digital’. “A operação de barter online é o que chamamos de intramuros. O produtor consegue trocar o café por mercadorias de lojas da própria Minasul apenas”, explicou Albinati.

O próprio executivo é produtor rural e ao mesmo tempo um profissional que já atuou no ramo da tecnologia da informação. “A Minasul já tem essa parte tecnológica no perfil. Desde 2016 essa visão de aplicações tecnológicas vem sendo cada vez mais implementada. Fizemos isso com o monitoramento climático, o mapeamento de lavoura. Acredito que daqui em diante, teremos cada várias oportunidades de negócios disruptivas”, concluiu.

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