Omar Nasser, da Fiep*
Curitiba – Conhecer as potencialidades da economia paranaense e expor as oportunidades oferecidas pelo maior mercado consumidor do mundo árabe. Estes são os objetivos da visita de três dias do cônsul da República Árabe do Egito, Mohamed Bakri Agami, a Curitiba. Na manhã desta terça-feira (26), ele reuniu-se com dezenas de industriais na sede da Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep). "O Brasil é um mercado importante para o Egito. Queremos ampliar nossas relações comerciais", declarou.
Além de absorver produtos brasileiros e fornecer matéria-prima e bens manufaturados, o Egito pode vir a tornar-se uma importante plataforma para as exportações brasileiras. A observação é do secretário-geral e diretor de Comércio Exterior da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, Michel Alaby, que acompanha o cônsul egípcio em sua visita ao Paraná. "A idéia deste evento é mostrar o Egito como fornecedor de produtos e serviços, como pólo de atração de investimentos para abastecer o mercado interno e como plataforma de produtos brasileiros para a África, países árabes e Europa."
Falando em nome da Fiep, o coordenador do Conselho Temático de Comércio Exterior da entidade, Ardisson Nahim Akel, ressaltou o estreitamento das relações econômicas, políticas e culturais do Brasil com o mundo árabe nos últimos anos. Akel lembrou que, desde a Cúpula América do Sul–Países Árabes, ocorrida em 2005, os contatos com as nações do Norte da África e Oriente Médio têm sido mais constantes. Com uma base industrial diversificada – confecções, móveis, madeira, alimentos, veículos, autopeças, eletrodomésticos e bens de informática, entre outros – o Paraná surge como importante opção de negócios.
Negócios
Em 2006, a corrente comercial entre o Brasil e o Egito foi de quase US$ 1,4 bilhão. Uma das potências industriais do mundo árabe e dono de uma população de 78 milhões, o país africano foi o segundo maior destino das exportações brasileiras entre as nações do Norte da África e Oriente Médio. No ano passado, as vendas para lá totalizaram US$ 1,35 bilhão, com aumento de 55,42% sobre os US$ 868 milhões registrados em 2005.
Para Agami, contudo, há condições de expandir os números. No ano passado, o Egito foi apenas o 9º fornecedor do mercado brasileiro entre os países árabes. Em 2006, o Brasil importou US$ 38 milhões dos egípcios, o que significou expansão de 21,26% em relação às compras de 2005, que foram de US$ 31 milhões. Um volume, contudo, aquém do potencial da indústria local.
O cônsul destacou que, além de produtos matérias-primas para a indústria têxtil, notadamente o algodão, e tapetes, o Egito tem muito a oferecer na área química e de manufatura, como plásticos, fertilizantes e autopeças. E mostra grande interesse em conhecer a tecnologia brasileira de produção de etanol.
Programação
Dando prosseguimento a sua agenda, nesta terça-feira à tarde o cônsul, acompanhado pelo secretário-geral da Câmara Árabe e pelo diretor do escritório regional da entidade no Paraná, Kamal David Curi, visitou a Maringá Soldas. Localizada na Cidade Industrial de Curitiba (CIC). A indústria, fundada em 1969, produz cabeçotes para motores de caminhão e trator. Ela exporta para 28 países, inclusive árabes.
Na quarta-feira pela manhã, Agami visita a Positivo Informática, que produz computadores pessoais e programas educativos. À tarde, vai à La Violetera, importadora especializada na comercialização de azeites, frutas secas, azeitonas, tomates secos, anchovas e alcaparras, entre outros produtos alimentícios. Fundada em 1928 pelo comerciante libanês Hassan Mohammad Raad, a empresa tem distribuição para todo o país, sendo proprietária das marcas La Preferida, Mastroiani e Alto Douro.
A programação termina na quinta-feira pela manhã, quando o cônsul e comitiva visitam a Polytrade. Localizada também na CIC, ela é especializada na produção de resinas industriais, carvão ativado e emulsificante de asfalto.
*Federação das Indústrias do Estado do Paraná

