São Paulo – Os Emirados Árabes Unidos receberam mais de US$ 10 bilhões em investimento direto estrangeiro (IDE) em 2011. O país foi o principal destino para esse tipo de investimento no Oriente Médio e África em número de projetos, de acordo com o site do jornal The National, de Abu Dhabi.
No ano passado, 328 projetos foram lançados no país com capital de fora, volume 13% superior ao registrado em 2010, de acordo com a FDI Intelligence, divisão do jornal britânico Financial Times. O aumento aconteceu em um ano fraco em IDE no mundo, devido ao medo da crise na Europa e nos Estados Unidos e aos conflitos no mundo árabe.
"A instabilidade econômica e política na Europa, Norte da África e Oriente Médio levou muitas companhias a suspenderem seus planos de IDE, causando uma forte queda dos investimentos em muitos países", afirma o relatório.
Em dezembro, o governo federal dos Emirados fez grandes alterações na legislação do país, o que deverá abolir o limite de 49% para participação de companhias estrangeiras em empresas sediadas no país, fora de zonas francas.
Os Emirados são também uma grande fonte de investimento direto estrangeiro. Os investidores do país foram os mais ativos do Oriente Médio e Norte da África no ano passado, em número de projetos.
A incerteza, no entanto, influenciou negativamente o apetite dos investidores locais, levando a uma queda de 3% na quantidade de projetos e de 43% no volume de capital investido. "Isso aconteceu em grande parte devido à constante redução do IDE em imóveis, que caiu 57% em 2011 na comparação com 2010", afirma o relatório.
Os árabes
Entre os países do Oriente Médio e Norte da África, a Arábia Saudita atraiu o maior volume de investimento, que ultrapassou a marca dos US$ 14 bilhões, representando aumento de 40% sobre 2010. Ainda assim, o valor é bem inferior ao registrado em 2008, quando o país recebeu US$ 42 bilhões em IDE.
A Primavera Árabe causou uma forte queda no volume de IDE que a região recebeu. A quantidade de projetos de IDE na Líbia e no Iêmen caiu 80% e 29%, respectivamente. A Síria e registrou queda de 26% e a Tunísia, de 14%.
África e mundo
Apesar de ter havido conflitos políticos também no Norte da África, na África como um todo houve um aumento de 24% no número de projetos. Os recursos naturais do continente, entre eles carvão, petróleo e gás natural, foram os principais alvos do investimento. O relatório estima que projetos relacionados a essas commodities tenham recebido US$ 35 bilhões em 2011.
No mundo todo, o número de projetos de IDE cresceu 5,6% no ano passado. Na comparação entre 2009 e 2010, o crescimento havia sido de apenas 3%. O volume estimado de IDE, que caiu 14,5% em 2010, cresceu 1,2% em 2011. O volume total de IDE no mundo foi US$ 860 bilhões.
*Tradução de Gabriel Pomerancblum

