São Paulo – Os investimentos dos Emirados Árabes Unidos no setor de saúde podem crescer 170% e o número de leitos hospitalares deve dobrar até 2025, segundo reportagem do jornal The National, de Abu Dhabi, capital do país. O orçamento da área é de 45 bilhões de dirhans (US$ 12,25 bilhões), mas deverá subir para 122,5 bilhões de dirhans (US$ 33,4 bilhões) até 2025. Os dados não incluem recursos privados.
Segundo o diretor de operações técnicas do Departamento de Saúde de Dubai (DHA, na sigla em inglês), Saeed Ali Al Shamsi, a demanda por serviços médicos nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC) cresce fortemente. O bloco inclui Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados, Omã e Kuwait. Para Shamsi, há aumento “principalmente nas áreas cardiovascular, de diabetes e de acidentes de trânsito”.
Será necessária a criação de dois mil novos leitos hospitalares nos próximos 15 anos em face do aumento da população, declarou Abdul Salam Al Madani, representante dos Emirados no Comitê Científico Global da Federação Internacional de Hospitais.
Faltam centros de especialidades, diz o jornal. "Estamos fazendo um bom trabalho no campo da medicina geral, mas não vamos bem na área de hospitais especializados”, declarou Madani. Para ele, entre as maiores necessidades estão centros para tratamento de câncer e de queimaduras, além de hospitais neonatais e centros de tratamento de doenças respiratórias.
Em Dubai serão inaugurados hospitais gerais em Al Barsha, em meados de 2012, e Al Warqaa, em 2013. Também está programada a construção do Al Jalila Children’s Specialty Hospital, um hospital pediátrico com 200 leitos, e o Al Maktoum Emergency and Trauma Centre, um centro de traumatologia de 800 leitos, que também servirá de hospital.
Segundo Shamsi, o DHA trabalha também em prol de investimentos privados, para cobrir áreas não atendidas pelo governo. "Esperamos que o setor privado supra entre 50% e 60% da nova demanda,” declarou. "Como órgão regulador, queremos maior participação do setor privado no desenvolvimento do setor”, acrescentou.
Para incentivar o capital privado, os Emirados estudam baixar uma lei de parcerias público-privadas. "Alguns países não têm uma lei específica para gestão do setor," declarou Laila Al Jassmi, chefe do Departamento de Políticas e Estratégias de Saúde do DHA. "Entretanto, achamos que uma lei vai alinhar todas as atividades e proteger nossos direitos, e também os direitos dos investidores privados”, acrescentou.
Para gerar maior interesse privado, segundo Madani, informações confiáveis e rápidas são essenciais. "Algumas empresas já demonstram interesse em operar na área, mas temos dificuldades em fornecer dados estatísticos e informações do setor da saúde,” explicou ele. “Essas informações são fundamentais antes da tomada da decisão pelo investimento. Estes dados precisam estar atualizados e corretos, além de serem consistentes”, concluiu.
O The National falou com os executivos durante o 37º Congresso Mundial de Hospitais, realizado de 08 a 10 de novembro, em Dubai.
*Tradução de Mark Ament

