São Paulo – Com duas décadas de experiência no segmento, a mineira Adriana Gabriella Lima inaugurou um salão de beleza em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, e fez da expertise brasileira na área um diferencial naquele mercado. Inaugurado em outubro do ano passado, o estabelecimento seguiu em operação mesmo com o conflito se desenrolando no Oriente Médio.
“O salão se chama Brazilian Touch Beauty Boutique. Eu o abri para apresentar nossa brasilidade nos serviços de beleza às árabes. Apesar de ter salões em Dubai que empregam brasileiras, ainda não havia um espaço com uma dona brasileira, isso faz diferença”, explica a empresária.
Adriana construiu sua trajetória profissional no setor da beleza a partir de uma vontade que surgiu ainda jovem. Formada em visagismo, estética e cosmetologia, hoje em seu espaço ela oferece serviços que vão desde tratamentos capilares, cuidados faciais, procedimentos corporais até manicure e pedicure.

“Acredito que entre os diferenciais do meu espaço está o atendimento personalizado. Antes de iniciar qualquer procedimento, as clientes passam por uma avaliação para identificar as necessidades do cabelo ou da pele e definir protocolos específicos de tratamento”, diz a mineira.
O espaço também aposta em uma experiência inspirada na cultura brasileira, com música, hospitalidade e técnicas que fazem parte da tradição dos salões do Brasil.
Localizada em um dos principais centros cosmopolitas do mundo, a unidade recebe clientes de diversas nacionalidades, inclusive as árabes.
“Posso dizer que existem várias semelhanças entre as clientes brasileiras e as de lá, especialmente no interesse por cuidados estéticos. No entanto, algumas demandas são bastante específicas. Entre as árabes, existe uma procura muito grande por tratamentos para alisar os cabelos”, afirma Adriana.
Tratamentos capilares, terapias para o couro cabeludo e massagens corporais também estão entre os serviços mais procurados no salão de Dubai. “Em comparação com as brasileiras, posso dizer que as árabes visitam o salão com mais frequência.”
Adriana manteve o salão em funcionamento, mesmo com os Emirados tendo sido atacados no conflito da região. Segundo a empresária, o movimento diminuiu um pouco com alguns expatriados retornando aos seus países – muitas das clientes ainda não voltaram a Dubai. “Eu tenho uma carteira grande de clientes, então eu continuei os meus atendimentos”, afirma. Segundo Adriana, mesmo com menos clientes ativas nos últimos dois meses, o time do salão está completo e operando habitualmente.
Aliás, com a consolidação do espaço nos Emirados, Adriana já trabalha na padronização dos processos do salão e avalia a possibilidade de expandir o modelo para outros países do Golfo no futuro.
História da brasileira

Influenciada por uma tia que tinha um salão de beleza, aos 20 anos, Adriana deixou a cidade natal, no interior mineiro, para estudar cosmetologia em São Paulo. Depois de concluir a graduação, passou a atuar também como educadora técnica no setor de cosméticos profissionais, ministrando treinamentos e cursos para cabeleireiros em diferentes regiões do Brasil.
Paralelamente à atuação na área educacional, Adriana manteve por anos a prática como cabeleireira e também a gestão de salões próprios. Com a ideia de se profissionalizar ainda mais, em 2010 a brasileira realizou uma pós-graduação na área no Cairo, no Egito.
“A minha ideia era entender um conceito diferente, especialmente a relação com produtos mais naturais e tradicionais, algo que já faz parte da cultura de muitos países do Oriente Médio. No mesmo ano já havia terminado a especialização e voltei para o Brasil”, conta.
A criação de uma marca

Dois anos depois, a mineira participou da criação de uma linha própria de cosméticos profissionais voltados para salões de beleza. A marca começou com produtos para alinhamento e tratamento capilar e, ao longo dos anos, ganhou novas formulações até montar um portfólio completo para uso profissional.
Os produtos da Merlot Professional International, que são desenvolvidos em parceria com uma indústria localizada no interior de São Paulo, têm como característica o uso de ativos brasileiros e formulações com perfil vegano, além de linhas com componentes orgânicos.
“Em 2022 decidi começar a exportar a minha marca e o primeiro país foi os Emirados Árabes Unidos. Depois disso, participei da Beautyworld, uma das maiores feiras internacionais de cosméticos, e passei um ano, ao lado do marido, que é sócio do salão, em Dubai, trabalhando diretamente na apresentação da marca para salões e distribuidores locais”, relembra a brasileira.
Hoje, a linha profissional já foi vendida em diferentes mercados do Golfo, como Arábia Saudita, Omã, Bahrein e Kuwait, com cerca de 30% do total da produção sendo destinada ao mercado árabe.
Reportagem de Rebecca Vettore, em colaboração com a ANBA
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