Eurofarma estuda investir na Arábia Saudita

Empresa farmacêutica brasileira assinou acordo com a agência de desenvolvimento industrial do país para prospectar o mercado e decidir possível modelo de negócios.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

Riad – A companhia farmacêutica brasileira Eurofarma firmou nesta terça-feira (29) um memorando de entendimentos com a Saudi Industrial Clusters, agência de desenvolvimento industrial da Arábia Saudita. A assinatura ocorreu na Iniciativa de Investimentos do Futuro, conferência que ocorre em Riad e nesta quarta-feira (30) terá a participação do presidente Jair Bolsonaro, que está na capital saudita.

O diretor-executivo da companhia, Walker Lahmann (2º da esq. p/ dir., na foto), disse à ANBA que a Eurofarma estuda uma expansão para fora da América Latina, e a Arábia Saudita é uma opção de investimento. “A empresa, nos últimos dez anos, tem feito um processo de internacionalização para a América Latina e hoje está presente em 20 países da região, tem inclusive seis fábricas fora do Brasil”, afirmou.

Este processo está chegando ao fim e agora, segundo ele, a companhia olha para outras regiões. “Nós temos olhado algumas outras oportunidades, oportunidades de investir e expandir também para a Arábia Saudita”, declarou.

Conferência tem o apelido de Davos no Deserto

Por isso a assinatura do acordo com a Saudi Industrial Clusters. “Essa assinatura ocorre justamente com a intenção de a Industrial Clusters nos ajudar a fazer um levantamento de dados, das necessidades, a entender qual é a dinâmica do mercado farmacêutico da Arábia Saudita”, destacou. “É um mercado farmacêutico muito interessante, nós sabemos disso, mas queremos saber outras peculiaridades, mais detalhes, e fazer realmente alguns estudos que possam embasar a nossa decisão de investir aqui”, acrescentou.

O executivo explicou que quando a empresa estuda um negócio no exterior há sempre diferentes opções de operação, como exportação de produtos diretamente do Brasil para um distribuidor local, estabelecer uma equipe de vendas no país – mas ainda enviar as mercadorias da matriz -, e produzir localmente. “No caso, ter uma fábrica”, disse ele sobre a última possibilidade.

“Toda operação tem estes três tipos de possibilidades. O estudo que vai ser feito, o feasibility study, vai responder qual é o modelo ideal para cá”, afirmou. O mesmo vale para os produtos que eventualmente serão produzidos numa fábrica. “Eu acho que em qualquer um destes modelos temos possibilidades sim”, concluiu.

A indústria farmacêutica é uma das prioridades na estratégia de longo prazo de diversificação da economia saudita. Recentemente representantes da Saudi Industrial Clusters e de outras instituições ligadas ao setor estiveram na Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, para divulgar o mercado do país árabe para companhias do Brasil.

Firmaram convênios com a Saudi Industrial Clusters também o Instituto Butantã, de São Paulo, referência na fabricação de vacinas no Brasil, e a Aeris energia, fabricante brasileira de pás eólicas.

Câmara Árabe
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