Exportação de frango aos países árabes deu salto em abril

Brasil embarcou para a região o equivalente a US$ 212 milhões, um aumento de 60% sobre o mesmo mês de 2018. Desempenho reflete a formação de estoques para o Ramadã.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – O Brasil exportou 338,9 mil toneladas de carne de frango em abril, um aumento de 34,9% sobre o mesmo mês do ano passado, segundo dados divulgados nesta quinta-feira (09) pela Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA). Os embarques renderam US$ 563,9 milhões, um crescimento de 17,3% na mesma comparação.

Dos dez principais mercados do frango brasileiro em abril, cinco são árabes: Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Kuwait, Egito e Omã, nesta ordem. As vendas para o bloco como um todo chegaram a 130,8 milhões de toneladas, um avanço de 51,3% em relação ao mesmo mês de 2018, de acordo com informações da Câmara de Comércio Árabe Brasileira. As receitas totalizaram US$ 212 milhões, um acréscimo de 60,2% no mesmo comparativo.

Entre os cinco principais destinos no mundo árabe, destaque para Emirados, Egito e Omã, para onde as exportações cresceram acima da média da região. Houve, no entanto, variação positiva nos embarques para os treze maiores mercados no mundo árabe, que incluem, além dos países citados, Iraque, Iêmen, Catar, Jordânia, Líbia, Bahrein, Líbano e Sudão.

O secretário-geral da Câmara Árabe, Tamer Mansour, comentou que o desempenho de abril reflete o movimento de formação de estoques para o período do Ramadã. Este ano, o mês do calendário islâmico vai de 05 de maio a 04 de junho.

Embora os muçulmanos jejuem do nascer ao pôr do sol nesta época, é comum a realização de grandes refeições coletivas à noite e a doação de comida aos pobres, daí a necessidade de ampliar as importações para garantir o abastecimento e evitar um aumento brusco dos preços.

Vale destacar que até o final de março, o volume de frango exportado para a região estava em queda, apesar de as receitas registrarem ligeira alta. Até a Arábia Saudita, que vinha reduzindo as importações da carne de ave brasileira, voltou a comprar mais com força em abril. Os embarques para lá chegaram a 29 mil toneladas, um crescimento de 29,8% ante o mesmo mês de 2018. A receita avançou 44%, para US$ 66,4 milhões.

Acumulado

De janeiro a abril, o Brasil exportou 1,28 milhão de toneladas, um aumento de 0,8% sobre o mesmo período do ano passado, segundo a ABPA. O faturamento com os embarques foi de US$ 2,11 bilhões, um crescimento de 1,1% na mesma comparação.

Para os países árabes, foram vendidas 459,5 mil toneladas, um avanço de 6,3% frente aos quatro primeiros meses de 2018. As receitas somaram US$ 792,4 milhões, uma variação positiva de 12% na mesma comparação.

Em entrevista ao jornal Valor Econômico publicada nesta quinta-feira, o presidente do conselho de administração da BRF, maior empresa brasileira do setor, Pedro Parente, disse que o mundo árabe e a China são as duas regiões com maior potencial de crescimento para as exportações da companhia.

Dona das marcas Sadia e Perdigão, a BRF tem uma fábrica em Abu Dhabi, nos Emirados, para onde exporta frango in natura. Lá, a carne é processada e depois distribuída pelo Oriente Médio. Parente avalia que este modelo “é o caminho natural” para os negócios com a região e com a China.

“Mas não queremos parar por aí. A Arábia Saudita tem uma política expressa de aumento da produção interna. Achamos que a China também vai preferir este caminho, mas devemos começar com acordos firmes [de exportação]”, declarou o executivo, segundo o Valor.

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