São Paulo – As exportações de máquinas e equipamentos produzidos no Brasil somam US$ 10,1 bilhões no ano, em alta de 5,5% em comparação com o período entre janeiro e setembro do ano passado. De acordo com dados divulgados nesta quarta-feira (28) pela Associação Brasileira da Indústria de Máquinas e Equipamentos (Abimaq), o setor, de forma geral, está em desaceleração em 2026.
Apenas em setembro, as exportações do setor foram de US$ 1,3 bilhão, em alta de 0,8% sobre setembro do ano passado. As importações também estão em alta, de 4,8%, e somam US$ 24,9 bilhões no acumulado de 2026. “As exportações em dólar vêm apresentando resultado positivo. Elas vêm em patamar elevado desde 2023, com crescimento e consolidação depois da pandemia. Elas têm seguido este patamar desde então”, disse o economista da Abimaq, Leonardo Silva. A variação cambial, porém, afetou o desempenho das vendas ao exterior, segundo a Abimaq.
No ano, estão em alta, em dólares, as exportações dos seguintes setores: componentes para indústria de bens de capital, máquinas para logística e construção civil, máquinas para infraestrutura e indústria de base, máquinas para a indústria de transformação e para a agricultura. Acumulam retração máquinas para bens de consumo e equipamentos para petróleo e energia renovável. Os principais destinos das exportações brasileiras do setor são Estados Unidos, Argentina, Singapura, Paraguai e México.
Consolidação do setor
A receita consolidada do setor, porém, registra queda em 2026, assim como o seu consumo aparente, que é resultado de demanda interna e importações menos exportações. A receita da indústria de máquinas e equipamentos brasileiros registra retração de 13,4% entre janeiro e setembro deste ano em comparação com o mesmo período do ano passado e soma US$ 201 bilhões.
O consumo aparente do setor soma US$ 284,1 bilhões no ano, em queda de 11,7% em comparação com o ano anterior até setembro. Em setembro isoladamente, a receita do setor somou R$ 24,4 bilhões, em alta de 1,6% em comparação com setembro do ano passado. Já o consumo aparente do período foi de US$ 31,8 bilhões, em queda de 12,5% na mesma comparação.
Para Silva, a taxa de juros tem afetado o desempenho. “Juros elevados estão influenciando negativamente nos investimentos, o que impacta na aquisição de máquinas e equipamentos”, afirmou.
A instituição estima que em 2027 o setor deverá alcançar resultados semelhantes a este ano, embora ainda dependa de anúncios e diretrizes do novo governo para concluir suas estimativas.
Outro segmento contabilizado pelos dados da Abimaq é o de máquinas agrícolas. As exportações destes produtos somam US$ 1,3 bilhão no ano, em expansão de 12,1% sobre janeiro a setembro de 2025 e US$ 161,6 milhões em setembro, com alta de 8,4% sobre o mesmo mês do ano passado. A receita líquida total do setor somou R$ 41,4 bilhões até setembro, em retração de 21,6% em comparação com 2025.
O presidente da Câmara Setorial de Máquinas e Implementos Agrícolas da Abimaq, Pedro Estevão, avaliou que a desaceleração do setor é resultado de baixa da rentabilidade das principais culturas. A expectativa para 2027 é de rentabilidade “um pouco” melhor, disse, desde que a taxa de câmbio fique estável, os preços de commodities se mantenham e não ocorra quebra de safra.


