São Paulo – As importações e a produção nacional de fertilizantes registram queda entre janeiro e julho deste ano em comparação com o mesmo período de 2025, de acordo com dados divulgados na segunda-feira (5) pela Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA). O principal motivo apontado para a retração nas importações é o conflito no Oriente Médio.
De acordo com os dados da ANDA, entre janeiro e julho deste ano o Brasil importou 22,98 milhões de toneladas de adubo, uma queda de 8,8% na comparação com o mesmo período do ano passado. Apenas em julho, foram importadas 3,96 milhões de toneladas, em retração de 22,3%. Em comunicado, a ANDA informa que as compras estavam mantendo seu ritmo normal no começo do ano, mas desaceleraram a partir do conflito de Estados Unidos e Israel contra o Irã, iniciado em 28 de fevereiro.
“As compras seguiam normalmente no início do ano, mas após o início da guerra no Irã, viu-se o arrefecimento de novos negócios, o que acaba sendo percebido a partir do mês de maio nas menores entregas e que afetará as entregas para a safra 2026/2027”, afirma o comunicado da ANDA.
A ANDA afirmou que o mercado brasileiro entrou na segunda quinzena de setembro com sinais de desaceleração nas importações. Uma menor contratação de compras neste período do ano amplia a necessidade de acompanhar os estoques para o próximo ciclo de aplicação, pois a perspectiva de produção em alta se mantém.
Um dos maiores produtores mundiais de alimentos, o Brasil, é um grande dependente de fornecimento externo de fertilizantes para semear a lavoura. Tem, entre seus principais fornecedores, nações árabes que estão sendo afetadas pelo conflito ou por suas consequências. O Brasil é grande importador, por exemplo, de Marrocos, Egito e Arábia Saudita.
A produção nacional, informa a ANDA, também está em queda. Entre janeiro e julho foram produzidas 3,34 milhões de toneladas, uma redução de 19,7% na comparação com o mesmo período de 2025. Apenas em julho, foram produzidas 517 mil toneladas, ou 19,9% a menos do que em julho de 2025.
Segundo a ANBA, a queda se deve principalmente ao fato de o Brasil produzir fosfatados, sendo que o enxofre, insumo necessário para a produção dos fertilizantes fosfatados, vem registrando altas contínuas no mercado.


