São Paulo – A empresa Interworld Foods L.L.C, que tem sede em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, quer conhecer mais a produção de frutas brasileiras, principalmente de uvas, para aumentar as suas importações. O diretor da empresa, Abdul Rahiman, está em São Paulo participando da Fruit & Log, feira do setor de frutas, legumes e vegetais, que começou ontem (08) e segue até amanhã (10), no Expo Center Norte. Rahiman representa também a companhia Abdul Fatah Mohd. Noor Co. L.L.C, de Omã. As duas trabalham com importação, exportação e processamento de alimentos.
“Quero conhecer mais os produtos brasileiros, como as uvas, verificar a qualidade, os preços”, afirmou Rahiman em entrevista à ANBA. As empresas que Rahiman representa já importam frutas brasileiras, como laranja, maçã e limão. De acordo com o executivo, são cerca de 300 toneladas por estação. No total – não só do Brasil –, as companhias compram cerca de 40 contêineres por mês em vegetais e frutas. Hoje (09) mais um importador do país árabe chega a São Paulo para a Fruit & Log. Também participa da feira o jornalista M. Matthews Matthew, do site Gulf Agriculture, dos Emirados.
O mercado árabe foi um dos temas do seminário que aconteceu ontem na feira. De acordo com dados apresentados pelo secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, no seminário, o mercado árabe importou em frutas brasileiras, no ano passado, US$ 16,12 milhões. Houve um aumento de 16% sobre o ano anterior. Segundo o secretário-geral, esse número ainda é baixo, já que o mercado árabe tem potencial para importar muito mais. “Mas está crescendo”, ressalta. Alaby afirma que as vendas para a região ainda estão muito concentradas em laranjas e tangerinas.
Para isso, os dois importadores árabes que foram convidados para a mostra, como parte do Projeto Comprador, promovido pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) e Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), vão participar, até a quinta-feira, de rodadas de negócios. O Projeto Comprador traz compradores de outros países para encontros de negócios com fornecedores brasileiros. Além dos árabes, participam importadores de outros 11 países, como Alemanha, Rússia, Dinamarca, Holanda, Inglaterra, África do Sul, Uruguai, Argentina e Chile. A Câmara Árabe é parceira da iniciativa.
Alaby afirma que o mercado árabe poderia comprar outras frutas do Brasil, como mamão, abacaxi e maracujá. Para exportar alguns tipos de frutas brasileiras, como as tropicais, será necessário, porém, um trabalho de mercado, já que não há costume do consumo delas na região, lembra ele. O diretor financeiro do Ibraf, Jean Paul Gayel, também acredita que há um grande potencial para as vendas de frutas brasileiras ao mundo árabe. Ele lembra de Dubai, onde se consome, segundo ele, quase de tudo em variedade de frutas.
De acordo com Gayel, porém, há um problema logístico para a exportação de frutas brasileiras ao mundo árabe. Ele explica que o custo do transporte aéreo nem sempre vale a pena, e que os portos do Oriente Médio, no caso de envio por mar, estão congestionados com navios. O fato de a fruta ser perecível não permite que ela fique aguardando na embarcação até ser liberado espaço no porto. Por isso, Gayel acredita que há mais chances de vender na região, por exemplo, produtos como as maçãs, que duram mais.
O Brasil exportou, no ano passado, um total de US$ 724 milhões em frutas frescas. Houve crescimento de 12% sobre 2007, quando a receita do setor com vendas externas estava em US$ 642 milhões. Do total das frutas produzidas no Brasil, 53% são vendidas processadas, segundo dados apresentados por Gayel. Os demais 43% são comercializados in natura. O presidente do Ibraf, Moacyr Saraiva Fernandes, afirma que o Brasil tem uma grande oportunidade para aumentar a produção e a exportação de frutas. O país é o terceiro produtor mundial de frutas.
“Temos terra, condições climáticas, produzimos frutas de clima temperado, tropical, cítricas, equatoriais”, disse ele na abertura da Fruit & Log. De acordo com Fernandes, o Brasil tem 500 plantas catalogadas que produzem frutas. Muitas – cerca de 300 – estão na região amazônica e grande parte nem é conhecida dos brasileiros. Ele afirma que a Fruit & Log, que está em sua primeira edição, foi promovida para atrair os importadores para o Brasil, já que a participação brasileira em mostras no exterior é muito cara. A Fruit & Log é promovida pela Francal Feiras com a parceira do Ibraf.

