São Paulo – Oitenta empresas gaúchas fabricantes de calçados, seus componentes e máquinas para o segmento estão se preparando para exportar. Elas são de micro e pequeno porte e desde o começo do ano fazem parte do programa de internacionalização do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae). De acordo com a gestora de Projeto do Setor de Calçados do Sebrae-Rio Grande do Sul, Daniela Pinheiro, o processo de capacitação vai ocorrer em 2010 e 2011 e é levado adiante pelo Sebae Nacional e Sebrae-RS.
Serão investidos R$ 2 milhões, recurso que virá, além do Sebrae, também das entidades parceiras do programa de capacitação, a Associação Brasileira de Empresas de Componentes para Couro, Calçados e Artefatos (Assintecal), Associação Brasileira da Indústria de Calçados (Abicalçados) e Associação Brasileira das Indústrias de Máquinas e Equipamentos para os Setores do Couro, Calçados e Afins (Abrameq). Também cada uma das empresas participantes paga R$ 150 por mês, de acordo com a gestora Daniela.
Daniela explica que há quatro anos o Sebrae-RS desenvolve projetos com o setor de calçados, em áreas como gestão de empresa, mercado interno, e sentiu que havia demanda pela capacitação para exportar. A idéia, então, foi desenvolver um projeto para que estas micro e pequenas empresas pudessem estar mais preparadas para, por exemplo, integrar os programas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex). Hoje, as empresas que participam da capacitação internacional estão divididas em três segmentos: calçados terminados e artefatos, componentes para calçados, além de máquinas para o setor.
A capacitação inclui oficinas de importação e exportação, consultoria para montar o plano de internacionalização de cada empresa e também discussão conjunta dos planos. A meta, segundo Daniela, é que até o final de 2011 cada empresa tenha pronto o seu plano de exportação e importação e também esteja preparada para fazer os próximos. Além disso, também haverá missões, viagens de prospecção e choque de mercado, que é a imersão em algum mercado pretendido. Isso deve ser feito ainda no segundo semestre deste ano.
De acordo com Daniela, algumas das empresas integrantes do projeto já exportam, mas por intermediários. "Elas querem exportar diretamente", explica a gestora. Ao selecionar as empresas, o Sebrae levou em conta se elas tinham, por exemplo, marca própria, no caso das indústrias de calçados e máquinas, se eram bem sedimentadas no mercado interno, se tinham um produto com possibilidades para o mercado externo. Segundo Daniela, o programa prevê também adequação de produtos e de design.

