São Paulo – A indústria brasileira Novo Mel está se preparando para entrar no mercado árabe. A empresa, que tem sede na cidade de São Paulo, montou uma estratégia de exportação, que tem como um dos principais focos Dubai, nos Emirados Árabes Unidos. De acordo com o gerente de exportação da companhia, Carlos Pamplona Rehder, a Novo Mel está conversando com três contatos locais, um distribuidor de alimentos, uma indústria de cosméticos e uma consultoria do segmento de hotéis. Para um deles já foram enviadas cotações dos produtos e a indústria espera começar a exportar em breve.
“Hoje o Brasil praticamente não exporta mel para os árabes. Quem exporta é a Europa. A Europa importa mel e reexporta para o mercado árabe. Queremos tirar esse intermediário”, afirma Rehder. A Novo Mel comercializa mel embalado, em tamanhos que vão desde o sachê até um quilo. A empresa já exporta para México e Angola e agora pretende começar a vender também para o Extremo Oriente, inclusive China, e Alemanha, além de Dubai. Para o mercado chinês o primeiro embarque será feito ainda neste mês.
No final do ano passado, Rehder, em missão para a China, ficou alguns dias nos Emirados para conhecer e prospectar o mercado local. Atualmente a Novo Mel produz entre cinco e sete toneladas de mel por mês. Deste total, cerca de 10% é exportado. A empresa nasceu exportadora, em 1995, vendendo própolis para o Japão. Mas as vendas para o país foram interrompidas e no ano 2000 a empresa voltou a vender no mercado externo.
Os produtos que a Novo Mel fabrica são em formato 40 gramas, para hotéis, 330 gramas e 800 gramas, em vidro, para supermercados, bisnagas de 275 gramas, para hotéis e farmácias, em um quilo, para cozinhas industriais, em spray, e em sachês. A matéria-prima é comprada de apicultores e processada pela empresa. Atualmente, a Novo Mel tem quatro grandes fornecedores, que entregam o produto todos os meses, e compra entre duas a três vezes por ano de pequenos apicultores. Com os maiores fornecedores, a empresa tem contrato para poder controlar mais de perto a qualidade da produção.
A empresa é familiar, de propriedade de Beatriz Pamplona. Tudo começou quando a empresária leu um livro com críticas ao consumo de açúcar e começou a se interessar pelo tema do mel. Isso foi, segundo Rehder, que é seu filho, na década de 70. Beatriz começou a estudar o segmento e chegou a fazer mestrado e doutorado sobre o tema. Para o mestrado, colocou seus três filhos – homens e então crianças – no carro e foi do Norte do Paraná ao Sul de Minas pesquisando a relação do mel com o solo. Para o doutorado estudou a relação da poluição do ar com o mel.
O mestrado e o doutorado foram feitos pela Universidade de São Paulo (USP). Beatriz também fez cursos no exterior e participou de vários congressos, nacionais e internacionais. Dois dos filhos, hoje adultos, trabalham com Beatriz na empresa. Ela foi aberta depois que um japonês quis comprar a própolis fabricada. Antes, a empresária vendia o excedente de mel que produzia – para consumo da família – apenas para pessoas próximas e vizinhos.

