Líbano tem potencial para crescer mais, diz FMI

Segundo relatório do organismo, avanço da economia libanesa deve ficar entre 1% e 1,5% em 2018, mas aumentar para 3% no médio prazo. País árabe tem dívida pública elevada e precisa de ajuda internacional para enfrentar desafio de receber refugiados sírios.

Da Redação
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São Paulo – O crescimento da economia libanesa deve ficar entre 1% e 1,5% neste ano, mas aumentar para 3% ao ano no médio prazo. A afirmação faz parte de um relatório divulgado pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) no fim do dia desta quinta-feira (21) a respeito do país árabe.

De acordo com o organismo, a economia do Líbano é muito dependente do setor imobiliário e da construção e uma recuperação forte no curto prazo é improvável.

O Conselho Executivo do FMI, porém, acredita que, com as políticas atuais, no futuro o país pode avançar mais. Inflação de 5% em 2017 e custo alto para importação de petróleo impediram uma maior evolução da econômica libanesa. “O potencial de crescimento é significativo”, diz o relatório.

O FMI afirma que uma resolução antecipada do conflito da Síria, país vizinho, beneficiaria o Líbano. A guerra da Síria, com grande número de refugiados chegando ao Líbano, afeta o crescimento e sobrecarrega a infraestrutura e os serviços públicos libaneses.

Diz o relatório que o resultado de uma conferência sobre investimentos no Líbano, onde organizações internacionais apoiaram o programa de investimentos do país, representa oportunidade para a economia libanesa avançar. A Conferência Econômica para o Desenvolvimento, Reformas e Negócios (Cedre) ocorreu em abril na França.

O FMI ressalta, porém, que seguem existindo grandes vulnerabilidades e riscos, em função da situação política regional e questões internas que podem afetar entradas de capitais.  Os fluxos de capital, que financiam os déficits do Líbano, desaceleraram em 2017 principalmente em função da crise política que teve seu ápice em novembro.

O orçamento teve saldo melhor em 2017, com o déficit em 7,3% do Produto Interno Bruto (PIB). A melhora ocorreu em boa parte por causa de receitas extras com tributação de lucros bancários mais elevados, em função de operações do Banque du Liban em 2016. A dívida pública, porém, estava em 150% do PIB no final do ano passado.

Segundo o FMI, a situação econômica no Líbano segue difícil, com dívida elevada, déficit e condições financeiras restritivas. Mas o organismo elogiou as autoridades locais por seus esforços generosos no acolhimento a refugiados sírios e acreditam que o país precisa de apoio internacional contínuo para enfrentar o desafio de ajudar os vizinhos.

Os diretores encorajaram as autoridades libanesas a usarem o atual impulso político e as promessas financeiras da recente conferência na França para empreender políticas e reformas ambiciosas para enfrentar os desequilíbrios internos e externos, melhorar a confiança dos investidores e aumentar as perspectivas de crescimento.

O FMI recomenda estratégia fiscal bem definida para estabilizar a dívida pública e fazê-la declinar, aumento de impostos, eliminação gradual de subsídios à eletricidade e restrição de salários públicos.

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