Da redação*
São Paulo – A imprensa árabe voltou a dar destaque ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Desta vez, o foco foi o discurso de Lula no seminário para investidores estrangeiros organizado pelo governo brasileiro em Genebra, na última quinta-feira (29). A agência de notícias árabe Emirates News Agency destacou a intenção do presidente de atrair recursos árabes para o país.
"Luiz Inácio Lula da Silva afirmou que o mundo árabe tem um grande potencial para investir no Brasil", escreveu a agência. Durante o discurso, em que afirmou o país tem condição de "incrementar, em muito, os quase US$ 11 bilhões de investimentos diretos estrangeiros recebidos em 2003", o presidente também mencionou a viagem feita aos países árabes, em dezembro do ano passado.
Lula lembrou que a primeira – e última – viagem de um chefe de estado brasileiro ao Líbano, por exemplo, aconteceu em 1876 e declarou: "Estabelecemos, pela primeira vez, uma relação com o mundo árabe, porque entendemos que é possível e importante atrair investimentos, sobretudo na área de infra-estrutura, e também fazer com que o Brasil coloque seus produtos nos mercados árabes".
Com o título de "Silva quer atrair investimentos árabes para o Brasil", a reportagem da Emirates destaca ainda a proposta do governo brasileiro de realizar neste ano a primeira reunião de cúpula entre chefes de estado árabes e sul-americanos. "Dessa forma, os dois lados poderão se conhecer e se entender melhor", diz o texto. A agência informou ainda que uma delegação da autoridade de investimentos da Líbia poderá visitar o Brasil "em breve".
Também de acordo com a Emirates, Lula afirmou, durante o discurso, que o século 21 será o século dos países em desenvolvimento. "Ele também mostrou esperança de que este ano seja promissor para a economia do Brasil e de que haja possibilidades de o governo embarcar de forma mais agressiva nos programas sociais que os brasileiros esperam que ele desenvolva". A agência conclui escrevendo sobre a iniciativa do presidente de criar um imposto mundial para custear programas de combate à fome.
Pacto com a ONU
Na sexta-feira (30), Lula se reuniu com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), Kofi Annan, e os presidentes da França, Jacques Chirac e do Chile, Ricardo Lagos. No próprio dia, foi anunciado que os quatro trabalhariam juntos para criar uma aliança global de combate à pobreza e à fome. Eles aprovaram ainda a criação de um grupo técnico para estudar propostas de financiamento das ações para eliminar a desigualdade.
Em comunicado conjunto, divulgado após a reunião em Genebra, os líderes convidam os chefes de estado mundiais a se unirem em torno dessa aliança. O documento usa como mote de convocação um alerta do secretário-geral da ONU: "um mundo onde prevaleçam a privação, a fome, a doença e o desespero da pobreza não será um mundo em paz".
Os objetivos acordados durante a Cúpula do Milênio, com prazos e metas mensuráveis, são, segundo eles, a espinha dorsal da luta contra a fome e a pobreza. A meta principal é reduzir pela metade, até 2015, o número de pessoas subnutridas no planeta.
A implementação das Metas de Desenvolvimento do Milênio pelos países-membro da ONU, conforme a nota, continua lenta e desigual. Adverte também que um grande número de nações, especialmente na África e em países menos desenvolvidos, não alcançará os objetivos, apesar dos esforços internos. "A menos que receba recursos substanciais e apoio externos", diz a nota.
Entre as ações defendidas como importantes para o combate a desigualdade, estão o "diálogo ampliado" entre o G-8 e os países em desenvolvimento, a atuação do G-20 na construção de um sistema multilateral de comércio mais justo e parcerias com ONGs e empresas privadas.
Para financiar as ações sociais, o grupo técnico a ser formado por especialistas brasileiros e franceses vai estudar as várias propostas apresentadas até agora. Entre elas, a formação de um mecanismo internacional de financiamento e a taxação de transações internacionais como a venda de armas e certas movimentações financeiras.
O grupo apresentará um relatório sobre fontes inovadoras de financiamento até setembro de 2004 como contribuição a trabalhos semelhantes que estão sendo realizados pela ONU e outros organismos.
*com informações da Agência Brasil e de agência internacionais

