São Paulo – O mercado árabe tem oportunidades para automóveis fabricados no Brasil. A opinião é do presidente da Associação Nacional dos Fabricantes de Veículos Automotores (Anfavea), Cledorvino Belini, e foi dada em entrevista à ANBA nesta segunda-feira (12). De acordo com Belini, o número de veículos exportados pelo Brasil aos países árabes é muito pequeno. "Mas eu diria que existem oportunidades naqueles mercados", disse o presidente da Anfavea.
No ano passado, as montadoras brasileiras venderam 3.891 automóveis para o mercado árabe, de acordo com dados da Anfavea. Houve uma queda de 5,8% sobre os números de 2008, quando foram exportadas 4.120 unidades. "São pedidos spot (eventuais) que algumas montadoras conseguem", afirma Belini, lembrando que o setor precisa trabalhar mais para chegar às oportunidades de mercado nos países árabes.
De acordo com o presidente da Anfavea, o que dificulta uma venda maior ao mundo árabe e o aumento das exportações em geral são os custos dos carros fabricados no Brasil. "O real forte é um grande complicador, sem dúvida nenhuma, mas, além do real, nós sabemos que existe uma oportunidade em toda a cadeia de ser mais competitiva para a exportação, em custo, matéria-prima, logística, infraestrutura portuária", afirma Belini.
A diversificação de mercados é uma preocupação do setor no Brasil, de acordo com o presidente da Anfavea, e também das montadoras individualmente. "Mas é preciso lembrar também que a diversificação de mercados para as exportações está muito atrelada a uma política global das multinacionais. E temos que levar em consideração que existe ociosidade em outras partes do mundo e nós, em função do real forte, não temos competitividade de enfrentar o nosso mesmo produto sendo fabricado em outros mercados", diz Belini.
No mundo árabe, os grandes compradores de veículos fabricados no Brasil, em 2009, foram Tunísia, com importações de 1.816 automóveis, seguida do Egito, com 932 carros, e Síria, com 801 unidades. Também compraram veículos brasileiros no ano passado Marrocos, Arábia Saudita, Catar, Emirados Árabes Unidos, Iraque, Jordânia, Kuwait e Líbano. A Tunísia e a Síria, no entanto, foram os dois únicos países que aumentaram as compras. Segundo Belini, os produtos fabricados no Brasil são adequados a estes mercados.

