Isaura Daniel
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São Paulo – Os produtores brasileiros de artefatos de metais não ferrosos, que incluem produtos como metais sanitários, fechaduras e utensílios domésticos de alumínio, vão buscar mais mercado no mundo árabe. O Sindicato de Artefatos de Metais Não-ferrosos do Estado de São Paulo (Siamfesp) e a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil) assinaram, no começo desta semana, um convênio para promover os produtos do segmento em seis países, entre eles os Emirados Árabes Unidos. Serão gastos R$ 3,22 milhões nos próximos dois anos para tornar os artefatos made in Brazil mais famosos nos Emirados, Panamá, Argentina, Angola, México e Bolívia.
O gestor de projetos da unidade de Casa e Construção da Apex-Brasil, Paulo Roberto da Silva, afirma que a sugestão dos mercados partiu do Siamfesp, mas a Apex deu sua aprovação. A Apex já conhece bem de perto os Emirados em função de ações que realiza periodicamente na região. “A gente sabe do boom de construção civil que está acontecendo nos Emirados, sabe que é um mercado de maior valor agregado”, diz Silva. De acordo com o secretário-geral da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Michel Alaby, que participou como convidado do lançamento do programa, as empresas brasileiras precisam apresentar produtos de qualidade e diferenciados para concorrer com fornecedores que já estão no mercado local.
As empresas beneficiadas serão inicialmente 39, mas a idéia é que o número seja ampliado para cerca de 45 até o término do projeto, segundo Silva. O grupo foi formado a partir de uma prospecção do Siamfesp junto a indústrias interessadas em exportar. De acordo com o gestor da Apex, cerca de 60% nunca exportou. A partir do projeto, elas terão oportunidade de participar da Big 5 Show, feira do setor de construção que normalmente ocorre no final do ano em Dubai, nos Emirados. Há possibilidade, segundo Silva, de que essa participação seja precedida de uma missão de negócios na região. Elas também vão participar de outras feiras nos demais países focados no projeto.
A idéia é que antes de participar das feiras, as empresas recebam uma pesquisa de mercado, com indicação dos compradores, canais de distribuição e concorrentes na região, para que possam ir ao país já com informações sobre quem são os compradores locais e encontros agendados. Está prevista a promoção de viagem de importadores dos países envolvidos ao Brasil para conhecer a indústria local do segmento. Também será criado um site, no qual serão apresentadas as empresas integrantes do grupo, e será feita uma newsletter sobre o andamento do projeto para circular entre as empresas do grupo e associadas do Siamfesp.
O lançamento do projeto tem como meta aumentar em 42,6% as exportações do setor até o ano 2009. De acordo com informações divulgadas pela Apex e Siamfesp, o segmento de metais não-ferrosos fatura atualmente R$ 2,4 bilhões, mas 95% ainda vem do mercado interno. A capacitação de empresários para a exportação está prevista nas ações do projeto. Juntas, as 39 empresas que integram o grupo tiveram, em 2006, receita de R$ 1,05 bilhão e exportações de US$ 29,6 milhões. Apesar do Siamfesp ter São Paulo como base, as companhias integrantes do grupo, associadas a ele, são também de Santa Catarina e Paraná.

