São Paulo – Um grupo de 70 empresas de pequeno e médio portes deve participar da próxima missão do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio (MDIC) ao Líbano, Egito e Irã, no mês de abril. De acordo com Mauro Couto, assessor especial do ministro da pasta, Miguel Jorge, a intenção do ministério, com a viagem, é justamente desconcentrar as exportações e diversificar a pauta de produtos. “Atualmente 90% das exportações brasileiras estão na mão de 1.800 empresas”, diz Couto. O assessor representou Miguel Jorge nesta segunda-feira (22), em um encontro preparatório à viagem, na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira.
Entre as participantes da missão, que estiveram reunidas na sede da Câmara Árabe, estão empresas das áreas de alimentos, equipamentos médicos, máquinas, construção, autopeças, biotecnologia, química, aço e energia. Esta deverá ser uma missão de negócios, em um formato similar ao que a pasta vem realizando. Couto prefere não fazer projeções, mas contou aos empresários presentes no encontro que na última missão realizada pelo MDIC, a três países africanos – Angola, Moçambique e África do Sul – os negócios imediatos foram de US$ 11,5 milhões.
Para este ano, o Ministério do Desenvolvimento planejou 12 missões a 25 países. A que será realizada ao Líbano, Egito e Irã terá a liderança do próprio ministro e tem apoio da Câmara Árabe. “Miguel Jorge está fazendo esforços contínuos, desde que chegou a Brasília, para reduzir os custos para empresas brasileiras colocarem seus produtos em mercados não-tradicionais”, disse Couto. Com os três países que serão visitados na próxima viagem, a corrente comercial do Brasil não chega a US$ 3 bilhões, segundo ele. A participação destas nações como destino das exportações não chega a 2%.
No encontro, os empresários puderam ouvir mais detalhes sobre os mercados e a situação atual dos países que serão visitados. “Fiquei profundamente impressionado com o que vi em Teerã, cidade com 15 milhões de habitantes, engarrafamento, restaurantes e supermercados cheios, muita gente comprando nas lojas, comércio aberto até tarde”, disse Couto sobre uma viagem que fez à região, referindo-se à capital do Irã, no começo deste ano. O chefe da Divisão do Oriente Médio II do Itamaraty, Carlos Leopoldo Gonçalves de Oliveira, afirmou que Egito e Líbano são países mostruários na região.
“São dois países multiplicadores de esforços comerciais. Qualquer iniciativa brasileira que tenha êxito será multiplicada para os demais países da região”, afirmou Oliveira. De acordo com o diplomata, Líbano e Egito são países que estabelecem tendências no Oriente Médio. Ele lembrou ainda que o Egito é o país mais populoso do mundo árabe, que reúne o fato de ser africano, árabe e islâmico, domina o Canal de Suez e se revela aberto ao Ocidente. Com o Líbano, fala Oliveira, o Brasil se tornou bastante próximo em função dos laços imigratórios. Oliveira lembra que o Congresso Nacional tem vários descendentes de libaneses.
Também falaram no seminário outras autoridades como o embaixador do Egito em Brasília, Ahmed Hassan Ibrahim Darwish, e o conselheiro da embaixada do Irã em Brasília, Hekmatollah Ghorbani. Darwish questionou o fato de os investimentos egípcios no Brasil e brasileiros no Egito serem tão pequenos e lembrou as vantagens de investir em produção no seu país. Ele citou os diversos acordos comerciais, com regiões como o mundo árabe, a União Européia e a África, e das quais podem se beneficiar empresas que se estabelecerem por lá. Ghorbani falou, entre outros temas, sobre o interesse do seu país em estabelecer cooperação com o Brasil.
Também falaram no seminário lideranças como o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, e o chefe da Divisão Ásia Central do Itamaraty, Ricardo Luiz Ribeiro da Silva. A missão vai acontecer entre 11 e 17 de abril e tem participação do Itamaraty e da Apex (Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos), além da Câmara Árabe.
Bom ambiente para os negócios
“Os três países que serão visitados pela missão brasileira estão em fase de recuperação de suas economias (pós crise). Os empresários vão encontrar um ambiente bastante favorável aos negócios”, afirmou Rodrigo Iglesias, da Unidade de Inteligência Comercial e Competitiva da Apex. Iglesias apresentou dados de um estudo feito pela agência sobre os três países. De acordo com o estudo, o Egito obteve crescimento da economia de forma ascendente entre 2003/2008: crescia 3,2% entre 2002/2003 e entre 2007/2008 chegou a 7,2%. Entre 2009/2010 é previsto crescimento de 4,7%.
O Irã, sensível ao preço das commodities, desacelerava entre 2003/2004, mas voltou a um bom ritmo entre 2006/2007. A crise desacelerou a econômica para 1,5% entre 2008/2009. Já a economia do Líbano tinha bom ritmo 2007/2008, mas a crise desacelerou para 7% e 4%. “O Egito e Líbano apresentaram um crescimento ascendente em relação às exportações brasileiras nos últimos anos e a tendência é continuar no mesmo ritmo”, disse.
E se o ambiente é favorável, o próximo passo é preparar boas estratégias de negociação. “Negociar faz parte do sangue árabe”, destacou o secretário-geral Michel Alaby durante a apresentação que fez aos empresários destacando que paciência, perseverança e habilidade negocial são imprescindíveis na hora de fechar um negócio com um empresário árabe. Alaby falou sobre hábitos e costumes árabes e esclareceu dúvidas dos empresários brasileiros que farão parte da missão. "Nada substitui o contato pessoal, face a face e é muito importante estabelecer uma relação de confiança que certamente resultará em negócios de médio e longo prazo", destacou.
*Colaborou Geovana Pagel

