Cairo – A missão brasileira que está no Oriente Médio chegou ao seu quarto dia com alguns negócios fechados. A Rural Trade, trading do estado do Pará, acertou uma venda de US$ 5 milhões, em gado em pé, a um distribuidor do Egito. O negócio foi alinhavado durante as rodadas de negócios das quais a delegação participou nesta quinta-feira (15), no Semiramis Intercontinental Hotel, no Cairo. A missão, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), esteve no Irã, no Egito e ainda terá atividades no Líbano.
Outras empresas também ficaram entusiasmadas com os resultados dos encontros de negócios no Cairo. É o caso da Doimo Brasil, de móveis de alta decoração. De acordo com o gerente de comércio exterior da empresa, Guilherme Taveira, que participa da delegação, uma empresa dona de quatro lojas está interessada nos seus produtos. O egípcio prometeu ver os móveis da marca brasileira nos próximos dias, na High Point, uma feira de móveis dos Estados Unidos, que ocorre de 17 a 22 de abril.
Já a Voges, fabricante de motores elétricos de baixa tensão, conversou com egípcios candidatos a representar a marca no mercado local. Encontrar um parceiro na região, de preferência um distribuidor, era um dos objetivos da companhia na missão, de acordo com o diretor de Negócios Internacionais, Rogério Cunha. Segundo ele, porém, os motores têm forte concorrência chinesa no mercado egípcio. “Conseguimos competir com Europa e Estados Unidos, mas com os chineses não”, diz.
A trading Expansão Comércio também encontrou interessados nas autopeças que estava oferecendo. Uma das empresas pediu cotação e gostou do preço, diz o gerente comercial da Expansão Comércio, Stefan Riktsche. A Poliron, de cabos de cobre, fez vários contatos, mas, de acordo com a gerente de exportações, Solange Gonçalves, a grande dificuldade para colocar os produtos no mercado egípcio é a presença de uma indústria local do mesmo ramo. Com o custo do frete e impostos de importação, o produto brasileiro fica mais caro.
No Irã
Os empresários da delegação – que são 86 no total – também ficaram bastante satisfeitos com os contatos travados no Irã. Foi o caso da própria Poliron. "Foi excelente. Há bastante possibilidade de realização de negócio", afirma. Ela acredita que, se houver exportação, ela deve ser voltada para a indústria de petróleo e gás.
A Leone Equipamentos Automotivos fechou vendas entre US$ 6 mil a US$ 8 mil de calibradores de pneus no Irã. O representante da empresa na missão, Vinícius Leone, gerente internacional, ficou bastante satisfeito com os contatos travados no mercado iraniano. Além dos novos possíveis compradores, ele encontrou um antigo cliente, que chegou a fazer pedido para a empresa, há cerca de dois anos, mas, por problema de carta de crédito, o negócio não foi para frente. Agora, porém, o empresário conseguiu confirmação de carta de crédito de outro país – não o Irã – e poderá voltar a comprar.
A Rural Trade também fechou um contrato no Irã, conforme já noticiado pela ANBA. Somado ao negócio fechado no Egito, a empresa conseguiu, até o quarto dia da missão, US$ 11 milhões em negócios. A compra egípcia, porém, é de quatro mil cabeças de gado zebu que serão embarcados em 60 dias. O pedido deve demandar fornecimento de cerca de 100 pecuaristas do Pará. O representante da Rural Trade, Luis Carlos Porciuncula, também é assessor para assuntos internacionais da Federação da Agricultura do Estado do Pará (Faep).
Quem fará a importação do gado, no Egito, é a Comtrade Corporation. O presidente da empresa, Fouad Abdouelezz, esteve nas rodadas de negócios e levou Porciuncula para conhecer a trading. “Estou muito impressionado com o Brasil”, disse ele à reportagem da ANBA, após o contato com a missão empresarial. O egípcio afirmou que quer estabelecer com a Rural Trade uma relação de longo prazo.
*A jornalista viajou a convite do MDIC

