São Paulo – A missão ao mundo árabe, que será organizada pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) em fevereiro do ano que vem, tentará abrir mais mercado para empresas brasileiras em áreas nas quais o País tem produção forte: alimentos, bebidas e construção. De acordo com dados apresentados pela Apex nesta quarta-feira (19), durante lançamento da missão na sede da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, o Brasil tem possibilidade de ampliar vendas para a região de produtos como cereais, café solúvel, frutas, leite, massas, vidros e rochas, entre outros.
Em cereais em grãos, por exemplo, o mercado árabe importa US$ 4,5 bilhões ao ano e o Brasil é fornecedor de apenas com 9%. Em café são US$ 81 milhões, 22% atendido pelo País, em frutas e sucos são US$ 107,3 milhões para uma participação de 12%, em leite e derivados US$ 405,1 milhões, dos quais 8% provenientes do Brasil. Na área de construção as empresas brasileiras participam com 1,7% do vidro e suas obras importados pelos árabes, em produtos de metalurgia são 2% de US$ 331 milhões, em rochas ornamentais 2% de US$ 354 milhões.
Estes produtos, numa lista de cerca de vinte itens, foram identificados pela Apex como os que têm mais oportunidades de negócios da região. O estudo foi apresentado pelo analista de Gestão e Negócios da Inteligência Comercial da agência, Ulisses Pimenta, a empresários interessados em integrar a missão. A delegação será liderada pelo ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, cujo ministério apóia a missão, juntamente com a Câmara Árabe.
A viagem está prevista para acontecer de 12 a 16 de fevereiro e passará por Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita. Nos Emirados, no entanto, os empresários também terão rodadas de negócios com importadores de outros países árabes, como Kuwait, Jordânia, Líbano e Catar. Pimenta lembrou que os Emirados são uma porta de entrada para a região e por isso o alcance da missão não deve ficar restrito ao país.
“Através dos Emirados se pode chegar até eles”, disse, a respeito das demais nações árabes. Segundo ele, a soma de exportações e importações dos Emirados representa 160% do seu Produto Interno Bruto (PIB), o que comprova o dado.
Pimenta lembrou que as perspectivas econômicas na região são boas. Na Arábia Saudita, por exemplo, a previsão é de crescimento do PIB de 4,21% em 2012, 4,23% em 2013 e 4,28% em 2014. A taxa de investimento deve estar em 23% em 2014. “Continuará sendo uma região atrativa para comércio e investimentos nos próximos anos”, disse Pimenta. Para os Emirados há previsão de crescimento de 4,64% em 2012, 4,98% em 2013 e 5,65% em 2014. A taxa de investimento deve estar em 19,5% em 2014, segundo levantamento da Apex.
“É conhecer o mercado, conhecer o concorrente e obter estratégia adequada para ter sucesso. Renda o mercado tem”, afirmou o analista da Apex. O CEO da Câmara Árabe, Michel Alaby, que também falou no lançamento, lembrou aos empresários que ir em uma missão junto com o governo abre portas. “A Apex e a Câmara Árabe desenvolvem um excelente trabalho, com rodadas de negócios e visitas na região”, disse Alaby, dando dicas de negociação aos participantes, como a necessidade de prever, no preço do produto, um desconto de cerca de 20% para o importador árabe, que costuma negociar bastante.
Negociadora
A diretora da comercial exportadora Braseco, Damaris Eugênia Ávila da Costa, também deu dicas aos presentes sobre o que é necessário levar em conta para negociar e fazer sucesso no mercado árabe. A executiva começou a se relacionar com o mercado árabe há cerca de seis anos, quando foi procurar fornecedores de vidros no exterior para atender o mercado brasileiro. Acabou, no entanto, encontrando demanda para o vidro brasileiro no Egito. Damaris contou das suas experiências na negociação e disse que preço é o mais importante em uma primeira negociação com os árabes. “Produto ecológico, de maior qualidade, isso pode vir depois, na primeira compra o que interessa é preço. Depois ele pode até passar a pagar mais.”
Junto com Damaris, participaram do lançamento ao redor de 80 pessoas. Uma delas era Ricardo Figliolini, trader da Cotia, uma das grandes exportadoras e importadoras do Brasil, com sede na capital paulista. A empresa exporta para o mercado árabe e está avaliando a participação na missão. Também Iolanda Monteiro, gerente de contas, e Adriano Campestrini, gerente de marketing da FiberWork, da área de equipamentos para redes de fibra ótica, participaram do evento. A empresa, de Campinas, interior paulista, oferece produtos e serviços para operadoras de telecomunicações e vai se inscrever na missão. A empresa exporta para os Estados Unidos, América Latina e Europa e negocia a entrada no mundo árabe.
A General Products, trading de São Paulo, enviou o seu responsável por vendas internacionais, Fabio Toledo, ao lançamento. A companhia exporta principalmente autopeças para veículos pesados, além de outros itens como móveis, peças de decoração e equipamentos para petróleo e gás. O mercado árabe, segundo Toledo, responde por cerca de 30% das vendas da empresa, que quer ampliar presença na região. Ele afirmou que a participação anterior da General Products em missão do governo, há cerca de 10 anos, resultou em bons contatos.
Inscrições
Apesar de a missão ser focada em alimentos, bebidas e construção, empresas de outros segmentos também podem participar. De acordo com a Apex, as empresas não devem deixar de se inscrever por serem de outras áreas e a participação de cada uma será avaliada de acordo com a demanda na região. As inscrições estarão abertas a partir desta quinta-feira (20) e podem ser feitas por meio do site da Apex até o dia 18 de novembro. A viagem será feita em vôos comerciais. A Apex organizará, nos dois países, rodadas de negócios com importadores, de acordo com o perfil de cada empresa brasileira participante.

