São Paulo – A vice-diretora-gerente do Fundo Monetário Internacional (FMI), Nemat Shafik (foto), afirmou em seu último artigo no blog da instituição, divulgado na sexta-feira (18), que os países do Oriente Médio e do Norte da África precisam passar por uma “primavera econômica”. Segundo a executiva, as nações da região precisam diversificar suas economias, investir em infraestrutura, gerar empregos e buscar o crescimento. Ela afirma que ficou impressionada, durante uma visita recente, ao ouvir quase todas as pessoas falarem sobre política, mas quase ninguém de economia, o que é “preocupante”.
Segundo Shafik, a situação é mais grave, porém não exclusiva, nos países que não produzem petróleo. Segundo ela, entre essas nações, quase todos os indicadores econômicos seguem na direção errada. “O crescimento caiu pela metade, o desemprego aumentou, as reservas [financeiras] ficaram sob pressão e os déficits incharam porque os governos atenderam às pressões sociais com aumento de gastos com salários e subsídios generalizados”, afirma a executiva.
Ela recorda que, nos anos 90, as principais economias europeias aproveitaram o momento econômico para ajudar os países europeus que passavam por transição e afirma que muitos países árabes também precisarão passar por mudanças. No entanto, diferentemente daquela época, não há crédito externo disponível. “Os novos governos da região estão ansiosos em responder à demanda por emprego e justiça que os levou ao poder, mas são rapidamente confrontados com a dura realidade de recursos escassos e poderosos interesses escusos.”
Ela afirma também que discussões que deveriam estar na agenda dos líderes da região não figuram entre as prioridades dos governantes. Questiona, por exemplo, como reduzir a quantidade de subsídios concedida aos mais pobres para poder liberar recursos para investir em educação e infraestrutura, e o que países têm feito para garantir padrões mínimos de qualidade de vida aos pobres. Também pergunta quais as medidas adotadas para permitir que a iniciativa privada crie entre 50 milhões e 75 milhões de empregos nos próximos dez anos. “Infelizmente não há um discurso concreto sobre esses assuntos”, conclui.
A executiva alerta ainda para as preocupações dos jovens árabes. Segundo Shafik, eles se preocupam com o ambiente de negócios, com o meio ambiente, com o acesso que têm à educação e empregos e com a transparência adotada pelos governos locais. “Esta visita me deixou mais convencida de que, sem uma ‘primavera econômica’ para acompanhar a Primavera Árabe e as importantes mudanças políticas nos países árabes, corremos o risco de falhar nas duas frentes.”

