Alexandre Rocha*
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São Paulo – A indústria de construção civil no Golfo Arábico definitivamente conquistou os empresários brasileiros. A partir do dia 18 de novembro, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex) vão levar um grupo de companhias do ramo para uma missão empresarial em três países da região: Kuwait, Catar e Emirados Árabes Unidos. Será a quarta viagem do gênero em menos de dois anos com a participação da Câmara Árabe.
"Vamos levar as empresas para conhecer países que passam por um processo muito forte de investimentos nos ramos de infra-estrutura e construção civil", disse o presidente da entidade, Antonio Sarkis Jr. "São países que pelo potencial do mercado justificam uma presença forte", acrescentou.
Além da missão, a Câmara e a Apex promovem, do dia 25 ao dia 29 de novembro, a participação de companhias brasileiras na Big 5 Show, principal feira do ramo de material de construção do Oriente Médio.
Só para se ter uma idéia, na semana passada a Proleads, empresa de análise de mercados com sede em Dubai, nos Emirados, divulgou dados que colocam em US$ 1 trilhão o valor dos empreendimentos imobiliários em andamento nos países do Conselho de Cooperação do Golfo (GCC), bloco formado por Kuwait, Catar, Emirados, Arábia Saudita, Bahrein e Omã.
Os números incluem todos os tipos de edifícios comerciais e residenciais, instalações escolares, médicas, esportivas, cinemas, teatros, hotéis, parques temáticos, prédios de uso misto e lojas. São projetos em diversas fases, desde o planejamento até a construção.
Os Emirados são o país com o maior volume de empreendimentos, avaliados em US$ 430 bilhões, segundo a consultoria. Se consideradas também as obras de infra-estrutura, como rodovias, pontes, portos e aeroportos, o valor dos projetos no GCC sobe para mais de US$ 1,25 trilhão, segundo a Proleads.
"Somos parceiros da Câmara Árabe e obviamente o mercado do Oriente Médio vem crescendo em importância. É só olhar a expansão das nossas exportações para lá", disse à ANBA o presidente da Apex, Alessandro Teixeira.
Entre janeiro e setembro deste ano, as exportações de material de construção brasileiro para os três países que serão visitados somaram quase US$ 10 milhões, um aumento de 33,7% em comparação com o mesmo período de 2006. Se considerados todos os países árabes, as vendas chegaram a US$ 32,9 milhões até setembro, um crescimento de 76,5%, o que coloca a região em 19ª lugar no ranking dos principais importadores do Brasil. Os dados são da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) do governo federal, compilados de acordo com a lista de produtos da Associação Brasileira da Indústria de Materiais de Construção (Abramat).
Até sexta-feira (26), 21 empresas e entidades haviam se inscrito para participar da missão. Elas são dos segmentos de revestimentos cerâmicos, pedras ornamentais, estruturas metálicas, alumínios, grama sintética, ferramentas, hidrômetros, portas metálicas, cabos elétricos, metais sanitários, madeira e produtos de madeira, móveis, gesso, além de tradings que comercializam mercadorias do ramo. O número de participantes poderá aumentar porque a Federação das Indústrias do Estado do Paraná (Fiep) está convidando empresários do estado para participar.
"Nossa idéia e continuar com as ações de promoção na área de construção", disse o secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby. "E estamos levando novas empresas", acrescentou.
Economias em ascensão
Os três países que serão visitados têm atualmente grande liquidez proveniente das receitas da indústria do petróleo e gás, e o preço da commodity continua a aumentar no mercado internacional, tendo ultrapassado os US$ 90 por barril durante a última semana, o que permite prever uma disponibilidade ainda maior de capitais no futuro. "Não há risco de contingenciamento, de não realização de obras", disse Alaby.
A primeira parada será no Kuwait, país que, segundo dados reunidos pela Câmara Árabe, atingiu um produto interno bruto (PIB) de US$ 102,2 bilhões em 2006, com crescimento real de 12,7% em comparação com 2005. Com uma população de 3,2 milhões de pessoas, a nação tem um PIB per capita de mais de US$ 32 mil.
O Kuwait tem cerca de 10% das reservas mundiais de petróleo, sendo que as atividades relacionadas à commodity respondem por 50% do PIB, 95% das exportações e 80% das receitas do governo. As exportações do Brasil ao país árabe renderam US$ 158,7 milhões entre janeiro e setembro, segundo a Secex, um aumento de 74% em comparação com o mesmo período do ano passado. Os principais itens embarcados foram carne de frango, carne bovina, açúcar, tratores de lagartas e outras máquinas do gênero e sucos congelados.
Já as importações de produtos kuwaitianos somaram US$ 77,3 milhões, ante apenas US$ 550,5 mil nos primeiros nove meses de 2006. Os produtos importados foram óleo diesel e naftas para a indústria petroquímica.
O Catar, segunda parada da viagem, alcançou um PIB de US$ 52,7 bilhões no ano passado, 7,1% a mais do que em 2005. Com uma população de apenas 900 mil pessoas, o país tem uma das rendas per capita mais altas do mundo, de US$ 52,7 mil. A indústria do gás natural está em ampla expansão por lá e o país já é o maior produtor mundial de gás natural liquefeito (GNL).
O petróleo e o gás respondem por mais de 60% do PIB, 85% das exportações e 70% das receitas do governo. As exportações brasileiras ao Catar renderam US$ 100,3 milhões entre janeiro e setembro, um crescimento de 110,7% em comparação com o mesmo período de 2006. Os principais itens embarcados foram minério de ferro, carne de frango, caminhões, cartuchos para espingardas e carne bovina. Já as importações somaram US$ 12,7 milhões, contra somente US$ 102 mil nos primeiros nove meses do ano passado. A uréia foi praticamente o único item importado.
Os Emirados serão a última parada. O país, de acordo com os dados compilados pela Câmara, atingiu um PIB de US$ 163,1 bilhões em 2006, um aumento de 8,9% em comparação com 2005. Com 4,9 milhões de habitantes, o PIB per capita é de US$ 35,7 mil. O emirado de Abu Dhabi concentra a maior parte da produção de petróleo, mas Dubai é o grande pólo comercial e o epicentro do boom imobiliário do Oriente Médio.
As exportações brasileiras aos Emirados renderam US$ 937,3 milhões entre janeiro e setembro, 40% a mais do que no mesmo período do ano passado. As principais mercadorias embarcadas foram açúcar, carne de frango, tratores de lagartas, soja, gasolina e aviões. Já as importações somaram US$ 268 milhões, um aumento de 36% em relação aos primeiros nove meses de 2006. Os principais itens da pauta foram óleo diesel, querosene de aviação, propano liquefeito, butano liquefeito e resíduos de alumínio.
Nos três países os empresários vão participar de seminários e rodadas de negócios nas câmaras de comércio locais e farão visitas a projetos imobiliários e varejistas de material de construção. Em Dubai, vão se unir ao grupo os integrantes de uma outra missão, organizada pela Federação das Indústrias do Estado de Santa Catarina (Fiesc), vinda da Índia.
Feira de negócios
Também em Dubai, a delegação vai visitar a Big 5 Show. A feira terá um pavilhão brasileiro com 29 expositores dos ramos de revestimentos cerâmicos, pedras ornamentais, metais sanitários, vidros, acessórios para banheiros, material elétrico, tubos, ferramentas, utensílios para o lar, entre outros.
"Uma parte da missão, no Kuwait e no Catar, terá foco na descoberta de oportunidades na construção civil e como se posicionar no setor. Já os objetivos da participação na Big 5 são melhorar o posicionamento do Brasil no mercado e ampliar nossa inserção na região", disse o coordenador de unidade de eventos internacionais da Apex, Juarez Leal.
O estande terá 480 metros quadrados, 60% a mais do que no ano passado, quando 27 empresas participaram. A Apex estima que serão realizados US$ 8 milhões em negócios durante a feira e mais US$ 25 milhões nos 12 meses posteriores. No ano passado a Big 5 atraiu 41,4 mil visitantes de vários países.
Antes da missão e da feira será realizada uma reunião preparatória no dia 31 de outubro, na sede da Câmara Árabe, para as empresas que vão participar.
*Colaborou Marina Sarruf

