Oportunidades de negócios para brasileiros e jordanianos

Rodada vai reunir 53 empresários do Brasil e 11 empresários da Jordânia – dos mais diversos setores. O encontro faz parte da programação preparada para a visita do rei Abdullah II ao país.

Geovana Pagel
geovana@anba.com.br

São Paulo – Uma rodada de negócios vai colocar 53 empresários brasileiros frente-a-frente com 11 empresários jordanianos hoje (24), a partir das 14h, no hotel Renaissance, em São Paulo. O encontro faz parte da programação preparada especialmente para a visita oficial do rei da Jordânia, Abdullah II, ao Brasil. O rei fará a abertura do Fórum Comercial Brasil-Jordânia, às 9h da manhã. Cerca de 400 empresários brasileiros confirmaram presença no evento organizado pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira e pelo Jordan Investment Board (JIB), a agência de promoção de investimentos do país árabe.

Na parte da manhã, a Câmara de Comércio e a Câmara da Indústria da Jordânia vão assinar acordos de cooperação com a Câmara Árabe e com a Confederação Nacional da Indústria (CNI). “Só a confirmação de cerca de 400 empresas no seminário já demonstra o interesse que os empresários brasileiros têm no mercado árabe, em especial na Jordânia. A vinda do rei é um momento histórico”, disse o presidente da Câmara Árabe, Antônio Sarkis Jr. “A vinda de Abdullah II é um amadurecimento do comércio entre os dois países. A partir de um certo estágio, o comércio só continua de forma mais consolidada com a formação de parcerias. Acredito que o momento é de fortalecer parcerias entre árabes e brasileiros”, disse Sarkis.

Ainda durante o fórum, será realizado um seminário sobre a economia e investimentos na Jordânia e, na parte da tarde, a rodada de negócio. Entre as empresas brasileiras há desde agências de turismo a fabricantes de veículos para transporte de valores. Caso da Auto Life – veículos especiais, com sede em Cajamar, São Paulo, que já exporta para países da América Latina, Nigéria, Angola e África do Sul, e aposta na oportunidade de apresentar seus veículos especiais aos empresários jordanianos.

“A Jordânia é um mercado muito interessante, mas não temos contatos lá. O Oriente Médio, em geral, é um mercado próspero, que está crescendo sempre e com ótimas oportunidades”, afirma o gerente de exportação André Luís de Mello Sousa. Com 12 anos no mercado, a empresa começou com o segmento de carros de luxo blindados, passou a fabricar veículos para transporte de valores e veículos militares. Atualmente, gera 150 empregos diretos e tem capacidade para produzir até 30 veículos por mês.

A Baruk Gestão de Negócios Internacionais, que trabalha com os segmentos de construção civil, cosméticos, limpeza, alimentação e energia, tem planos bem ambiciosos para o encontro. “Vamos apresentar projetos nos setores de energia e telecomunicações. Vamos mostrar que é possível produzir energia elétrica utilizando a água do mar”, conta Alli Ahmad Majdoub, um dos sócios da companhia que trabalha com importação, exportação e investimentos.

A trading já possui escritórios em Dubai, nos Emirados Árabes, na Arábia Saudita e na Líbia. “Todos com sócio local e na área de investimentos e construção civil”, conta Majdoub. “Nosso objetivo é buscarmos parcerias, dentro dos segmentos que já trabalhamos, e saber dos empresários da Jordânia o que eles pretendem no Brasil, para que possamos ajudá-los a encontrar”, disse.

Turismo

Empresários do segmento de turismo também querem uma oportunidade na Jordânia. A Abbatour, que trabalha principalmente com Egito, Turquia, Terra Santa e Grécia, está de olho na possibilidade de incluir um novo país árabe no roteiro. “A Jordânia fica muito próxima ao Egito e é possível fazer o trecho por terra. Nosso objetivo principal na rodada é encontrar operadoras locais para firmar acordos”, disse Vanderley Scalize, gerente de operações da agência.

Da Jordânia, 11 empresários vão participar da rodada. A maioria das companhias jordanianas busca distribuidores locais para os seus produtos. Uma delas é a Holy River Establishment, que comercializa água benta do rio Jordão, onde Jesus Cristo foi batizado. A água é envasada pela empresa numa garrafa com design exclusivo, insiprado na Biblía.

“Para a Holy River Establishment, o mercado brasileiro representa uma oportunidade de alcançar os cristãos devotos do país, principalmente católicos romanos, e aumentar a exposição internacional da empresa. O Brasil é tido como um país formador de opinião entre os mercados latino-americanos”, afirmou o gerente-geral da empresa, Mohammed Al-Shomali.

A companhia, fundada em 1999, tem capacidade de envasar duas mil garrafas por dia e exporta 95% de sua produção para Áustria, Kuwait, México, Polônia, Espanha, Gana e Estados Unidos. “A Holy River Establishment tem como objetivo alcançar novos mercados em países com grande população cristã”, disse o gerente.

Outra empresa da Jordânia, que tem interesse em exportar para o Brasil, é a Globitel, de serviços de telecomunicação. “O principal objetivo da minha visita é estabelecer parcerias com empresas locais que nos ajudem a introduzir nossos produtos e soluções no mercado brasileiro. Oferecemos soluções para operadoras de redes de telefonia móvel e call centers, e estamos buscando parcerias com empresas integradoras de sistemas”, afirmou o CEO da empresa, Sharif Nabulsi.

De acordo com ele, a Globitel está sempre buscando novos mercados. “Queremos entrar no mercado sul-americano para expandir nossas vendas. O Brasil é o maior mercado da região, e essa visita vai nos ajudar a avaliar o potencial de mercado”, disse. A empresa, que foi fundada em 1996, exporta seus serviços para 25 países do Oriente Médio, África e Ásia.

* Colaborou Marina Sarruf

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