São Paulo – Materiais de construção, como mármores, granitos e cerâmicas, estão entre os produtos que o estado da Paraíba quer exportar para o mercado árabe. A vontade foi manifestada na última quinta-feira (22), em uma palestra sobre o mercado árabe feita pelo secretário-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, em João Pessoa, promovida pelo Centro Internacional de Negócios da Paraíba, iniciativa da Federação das Indústrias da Paraíba e do Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae).
Segundo Alaby, os empresários presentes no encontro manifestaram interesse em exportar vários tipos de produtos para o mundo árabe, como materiais de construção, sisal, frutas, produtos médicos e artesanato. E a gestora de Projeto de Internacionalização de Micro e Pequenas Empresas do Sebrae, Elianete Paiva, acredita que os materiais de construção podem ter boas chances no mercado árabe em função dos projetos que há na área na região.
Os mármores, granitos e cerâmicas são produzidos, principalmente, em Campina Grande e arredores, de acordo com a gestora. Como são feitos principalmente por pequenas e médias empresas, porém, o secretário-geral da Câmara Árabe sugeriu que os produtores se organizem em consórcio ou grupo para prospectar o mercado árabe. A Paraíba é o segundo produtor de rochas ornamentais graníticas e quartzíticas do Nordeste brasileiro, de acordo com informações do governo do estado.
Alaby também orientou, no encontro, os artesãos sobre os produtos locais que ele acredita terem maior saída no mundo árabe: as rendas e bordados. O interesse que os empresários manifestaram foi por nichos bem variados. Fabricantes de produtos médicos inovadores, na área de soro, por exemplo, se mostraram dispostos a transferir sua tecnologia aos árabes para trabalhar em parceria. Também as frutas da Paraíba – o estado produz desde mamão até graviola – podem ter saída entre os árabes, diz Alaby.
A Paraíba tem como principais setores econômicos a indústria de calçados e têxtil, além da produção de frutas, açúcar e etanol. Estas áreas são exportadoras. O mercado árabe, porém, ainda não é muito conhecido no estado, segundo Alaby. “Mas essa foi uma primeira aproximações. Há condições de evoluir”, afirma o secretário-geral. Segundo Elianete, participaram do encontro cerca de 100 pessoas, entre empresários, estudantes universitários e representantes de entidades e bancos.
De acordo com a gestora do Sebrae, o tema do mercado árabe despertou interesse geral. Além de perguntas sobre negócios e mercado, como tarifas e exigências de certificação, também foram feitos vários questionamentos sobre a cultura árabe. As dúvidas incluíam desde a participação das mulheres nos negócios até a questão religiosa, como a produção de carnes para os muçulmanos dentro das regras do halal. “É uma região exótica para nós”, disse Elianete. O encontro ocorreu no Teatro Sesi.

