Cairo – “Preferimos comprar do Brasil a outros lugares”. A afirmação foi feita pelo ministro de Comércio e Indústria do Egito, Rachid Mohamed Rachid, a empresários brasileiros e egípcios reunidos nesta quinta-feira (15), no Semiramis Intercontinental Hotel, no Cairo, para encontros de negócios. Ele disse que o seu país tem uma histórica e tradicional relação com os Estados Unidos e Europa e destacou o início da uma relação mais forte com o Brasil, ocorrida, segundo ele, dentro de um novo contexto da economia egípcia, de desenvolvimento de ambiente propício para investimentos externos e aumento do comércio internacional.
O ministro egípcio, porém, lembrou que essa relação precisa beneficiar os dois lados. No ano passado, por exemplo, o Brasil exportou US$ 1,44 bilhão ao mercado egípcio e importou US$ 87 milhões. O próprio ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Miguel Jorge, falando no mesmo seminário, destacou que o mercado brasileiro está aberto aos egícpios. “O mercado brasileiro é muito aberto. Nossas taxas de importação são entre 10% e 12%”, afirmou. Miguel Jorge disse que espera missão comercial do Egito no Brasil.
Assim como no Irã, o ministro brasileiro lembrou que o Brasil precisa de fornecedores de fertilizantes, porque tem uma das maiores agriculturas do mundo, e que não compra o produto do Egito, que é fabricante do insumo. Miguel Jorge mencionou os números de comércio com o país árabe, mas disse que é possível fazer mais. Segundo ele, o Brasil não tem interesse apenas em comércio com o Egito, mas também em investimentos e parcerias. Já existem empresas brasileiras operando no Egito – como a Marcopolo e em breve a Randon – e também egípcias – há uma fábrica de material elétrico em Minas Gerais, no Brasil.
Rachid lembrou como as relações entre o Egito e o Brasil avançaram nos últimos anos. “O Brasil era só um lugar exótico para nós, por causa do futebol, o café e a carne”. O país, no entanto, segundo ele, surpreendeu o mundo com sua performance, sua visão realista e trabalho duro. Ele destacou a presença e relevância do Brasil nos fóruns mundiais. Rachid comparou o crescimento do Brasil aos avanços que seu país fez nos últimos anos. E arrancou risos dos empresários falando sobre outras similaridades. “Amamos música, praia, férias e não trabalhamos muito de vez em quando”, disse.
O seminário, no qual falaram Rachid e Miguel Jorge, ocorreu dentro da agenda da missão comercial brasileira ao Egito e região, promovida pelo Ministério do Desenvolvimento do Brasil. Além de participar da abertura dos encontros de negócios, o ministro Miguel Jorge também esteve com o ministro de Negócios Estrangeiros do Egito, Ahmed Ali Ahmed Abou Elgheif, com o qual conversou sobre a intensificação das relações com o Brasil.
Segundo o presidente da Câmara de Comércio Árabe Brasileira, Salim Schahin, que está na missão e acompanhou a reunião, Elgheif disse que o Brasil ainda não percebeu como o Egito pode ser um bom mercado. E disse que seu pais está aberto politicamente ao Brasil. Miguel Jorge também foi recebido pelo ministro da Agricultura e Terras, Amin Ahmed Mohamed Abaza, e pelo secretário-geral da Liga Árabe, Amr Mussa. O secretário-geral da Liga Árabe destacou o trabalho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, na aproximação com os países árabes, e falou do seu “respeito” ao presidente brasileiro.
“A Cúpula (de Países Árabe e Sul-Americanos) foi muito importante”, disse Schahin, lembrando que a Câmara Árabe teve um papel ativo na preparação das últimas duas e terá novamente na próxima, que será no Peru. O trabalho da entidade foi destacado pelo embaixador do Brasil no Cairo, Cesário Melantonio Neto, que esteve no encontro. Segundo ele, a Câmara Árabe tem uma atuação importante no suporte aos embaixadores árabes no Brasil e brasileiros no mundo árabe. A importância da comunidade árabe no Brasil também foi tema das conversas. Mussa afirmou que o trabalho do Hospital Sírio Libanês, por exemplo, é “fantástico”. O hospital fica em São Paulo, foi fundado e é levado adiante pela comunidade árabe no Brasil.
*A jornalista viajou a convite do MDIC

