Ruy Ohtake detalha projeto da Câmara Árabe

Arquiteto deu palestra aos colaboradores da entidade sobre o trabalho que fez na nova sede da instituição.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – O arquiteto Ruy Ohtake fez nesta quarta-feira (10) uma apresentação para diretores e funcionários da Câmara de Comércio Árabe Brasileira sobre como foi feito o projeto da nova sede da entidade, que ele realizou. Os escritórios localizados em dois andares do Edifício Santa Catarina, na esquina da Avenida Paulista com a Rua Teixeira da Silva, em São Paulo, foram inaugurados há duas semanas. O prédio também foi projetado por Ohtake.

No 11º andar ficam o auditório, as salas da presidência, do conselho, de reuniões, de reza, área para eventos e biblioteca. O arquiteto imaginou o espaço a partir de um auditório circular, no centro, sem corredores, com as paredes ao redor servindo como suporte para exposição de peças relacionadas à cultura árabe, como um museu. A luzes foram dispostas de maneira e iluminar as obras de arte e, ao mesmo tempo, as áreas de circulação.

Ao entrar no espaço, o visitante percorre um circuito ao redor do auditório passando por todas as dependências do andar. Ohtake destacou o trabalho feito na sala de reza, que no fundo tem uma pedra translúcida iluminada por trás indicando a direção de Meca. “É um conjunto muito interessante, muito forte”, disse.

Ele ressaltou também elementos árabes em outras dependências. As divisórias que separam a recepção das demais áreas lembram muxarabias, treliças de madeira vazadas que na arquitetura árabe tradicional são utilizadas em sacadas e permitem a quem está dentro do aposento ver o que acontece fora, mas quem está na parte exterior não enxerga o que ocorre internamente.

Nas paredes internas do auditório, o arquiteto projetou uma decoração com formas geométricas que remetem a motivos árabes. No hall dos elevadores, o arquiteto desenhou um padrão de pequenos círculos vermelhos sobre uma superfície clara de resina que, instalada sob a iluminação do teto, funciona como um “forro de luz”. “Não são necessárias luminárias, pois o próprio forro é iluminado”, afirmou. A ideia é “criar um impacto” logo que o visitante entra na sede da Câmara.

No 10º andar uma área retangular com quinas arredondadas e cercada por vidros foscos abriga a ANBA, o departamento de certificação e salas de reunião, e ao redor estão dispostos os demais departamentos e dependências da entidade.

As cores têm papel de destaque na nova sede, cada sala tem pelo menos uma parede pintada com uma cor diferente. “O conjunto todo forma uma base cromática interessante, mesmo com combinações não usuais”, observou o arquiteto.

Os escritórios foram projetados para aproveitar o grande vão livre existente nos andares. O prédio é projeto do próprio Ohtake, que utilizou uma solução de quatro pilares, ao invés de oito, deixando amplos espaços livres. “Isso dá possibilidade de fazer os layouts mais variados”, observou.

 Durante a palestra, Ohtake destacou a importância da criatividade e da intuição, de “dar um passo à frente”, no trabalho do arquiteto. “A história ensina, mas é a gente que faz”, declarou.

Ele ressaltou, porém, suas influências no uso de formas curvas: as estátuas dos profetas de Aleijadinho, em Congonhas do Campo, em Minas Gerais, e a obra de Oscar Niemeyer, de quem foi amigo.

O arquiteto foi apresentado aos colaboradores pelo presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, que inaugurou a nova sede, e o evento teve participação também do ex-presidente Marcelo Sallum, que iniciou a obra.

Alexandre Rocha/ANBA

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