São Paulo – As tradings brasileiras faturaram US$ 20,7 bilhões com exportações no ano passado. Elas responderam por 10,5% do total da receita do país com vendas internacionais, segundo dados divulgados ontem (6) pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex) no seminário “Tragins do Brasil”, na capital paulista. Os dados foram levantados pela Fundação Getúlio Vargas (FGV), a pedido da Apex, que começou a implementar, no ano passado, um programa de apoio às exportações via tradings.
Houve um aumento nas vendas das tradings no ano passado, já que em 2007 a receita delas com a exportação estava em US$ 16,39 bilhões. Os dados incluem vendas das tradings e também das empresas denominadas comerciais exportadoras. De acordo com o presidente da Apex, Alessandro Teixeira, há potencial para que os US$ 20 bilhões dobrem em três ou quatro anos. A intenção do programa é viabilizar exportações de pequenas e médias empresas, já que as companhias deste perfil normalmente exportam via tradings.
“Há um potencial de pequenas e médias empresas que poderiam exportar, mas não podem para desenvolver a área de comércio exterior”, diz o secretário de Comércio Exterior do Ministério de Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior do Brasil, Welber Barral, que também participou do seminário em São Paulo. Dos programas da Apex, por exemplo, participam seis mil empresas, das quais 30% ainda não exportam. Até elas entrarem no comércio exterior seria necessário cerca de três anos. A idéia é encurtar o caminho.
Desde que o programa começou a ser implementado já foi feita uma missão para Angola, na África. No segundo semestre deste ano será feita uma nova viagem de representantes de tradings, com rodadas de negócios, na África do Sul. A idéia é que sejam chamados, porém, não apenas compradores do próprio país, mas também das demais nações africanas, como as do Norte do continente, onde estão os árabes. De acordo com os resultados da ação, a Apex pretende fazer novas rodadas, em 2009, na Ásia, Oriente Médio e Leste Europeu.
O programa da Apex tem como meta também valorizar o papel da trading para que ela não seja vista apenas como uma intermediária nas vendas. O secretário Barral diz que elas terão um papel importante na diversificação das empresas brasileiras exportadoras. As tradings normalmente representam, em missões comerciais, mais de uma empresa. O mesmo ocorre com os produtos para exportação, já que elas costumam promover mais de um tipo de artigo. “Onde há desconhecimento dos produtos brasileiros, como em países árabes, como Bahrein ou Catar, a trading pode chegar com, por exemplo, 30 produtos”, diz Teixeira.
O seminário de ontem foi o primeiro grande encontro das tradings brasileiras. Além do seminário, que deu uma idéia da dimensão e situação atual do segmento, houve, no encontro, rodadas de negócios entre cerca de 200 empresários do Brasil e mais de 40 de outros países da América. O levantamento apresentado no encontro apontou que existem no Brasil 5.773 tradings e comerciais exportadoras. A maioria das exportações delas, em 2008, foi de máquinas e equipamentos, com 37%, seguida de alimentos, com 13%, produtos têxteis, vestuário e calçados, também com 13%, e artigos de casa e construção, com 12%.
A maioria das tradings do Brasil exporta por São Paulo. O estado concentra 48% das exportações destas empresas. Logo depois vem o Rio Grande do Sul, com 11%, Santa Catarina e Paraná, os dois com 9%, Paraná, Minas Gerais e Espírito Santo, com 7% cada, e Rio de Janeiro, com 5%. No seminário foi lançada a idéia da formação de um grupo gestor nacional, que congregue e represente as empresas. O programa da Apex contempla, além de promoção comercial, também a formação deste grupo, mudanças na legislação sobre tradings e simplificação e extensão de financiamento.

