Uma visita ao Souk Deira, mercado de rua da Dubai antiga

O souk conhecido pela grande quantidade de ouro e especiarias oferece inúmeros outros produtos, como lenços, sapatos, cerâmicas e souvenirs, e pode ser uma experiência cultural, no mínimo, marcante.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

Dubai – “Quanto custa?” é frase quase que proibida no Souk do bairro Deira, mercado de rua da cidade velha de Dubai. No mais conhecido local no emirado para comprar ouro e especiarias, e que vende também uma série de artesanatos e souvenires, perguntar o preço dos produtos é praticamente haram (pecado, em árabe).

Ao chegar no souk, é bom estar preparado para a abordagem insistente e constante dos vendedores. O tempo todo eles caminham ao seu lado e perguntam incessantemente se você quer comprar t-shirts, watches, shoes, bags (camisetas, relógios, sapatos, bolsas).  É de cansar os ouvidos, mas faz parte da experiência, tente não se aborrecer. No início fui pega de surpresa, mas logo me acostumei e achei até divertido.

Passado o impacto inicial da persistência dos comerciantes, em sua maioria indianos e paquistaneses, e cansando o inglês com thank you, no, thank you e até arriscando o shukram (obrigada, em árabe), fiz o meu primeiro passeio no souk de Dubai sem grandes pretensões consumistas e me surpreendi com a infinidade de lujinhas vendendo lenços de tecidos e estampas diversas, sapatos, cerâmicas turcas e iranianas, jogos de chá e café árabe – com muito dourado e colorido -, ímãs de geladeira, chaveiros, potinhos, copinhos, camelos de pelúcia, camelos de metal, camelos, camelos e mais camelos.

(Continua após a galeria)

 

Fora as lojas surreais de ouro, com colares imensos que parecem impossíveis de serem usados, mas ótimos para fotografar, e as especiarias – tem cura para tudo, tem chá para todos os gostos, tem muita tâmara de todo jeito também. O colorido do lugar é o que mais atrai.

Ao caminhar e olhar os objetos à venda nas bancas e lojas, percebi que todos tinham algo em comum: nenhum produto tinha preço marcado. Quando avistei uma banca de sapatos, fiquei curiosa e perguntei quanto custava um par. O vendedor me disse para entrar na loja para que eu experimentasse.

Naquele momento ainda não tinha percebido que esse era o modus operandi local. A estratégia dos comerciantes no souk é fazer com que você compre o máximo de produtos na loja deles, e só então, depois de tudo escolhido, dar o preço e negociar. É assim em todas as lojas, eles não falam o preço de cara, perguntam de onde você é, conversam, são negociantes natos. Até que você realmente se interesse por algum produto eles vão adiar a informação. E quando eles finalmente revelam o valor, é preciso barganhar.

Não tenha vergonha de pedir desconto, é assim que eles trabalham, colocam o preço lá em cima e estão dispostos a baixar, e muitas vezes você acaba pagando até a metade do valor inicial sugerido.

Na loja de especiarias aconteceu o mesmo. Fiquei deslumbrada com as cores e a disposição dos produtos do lado de fora, perguntei o que eram, mas para saber o preço, acabei entrando na loja e aproveitei para ver outros temperos. Chá de especiarias, cardamomo (muito utilizado no café árabe), açafrão e dois tipos de cúrcuma foram minha seleção na loja. Barganhei mais um pouquinho e voltei a caminhar pelas vielas do souk.

Muitos vendedores sabiam até falar algumas frases em português, sintoma natural do crescente turismo de brasileiros para os Emirados. Perguntavam se eu era de São Paulo, Rio ou Curitiba, e um falou até que tinha um primo no Brasil.

É um passeio no mínimo marcante, vale a visita nem que seja para olhar e tirar fotos. Mas em uma das cidades mais caras do mundo, este é o lugar onde você vai conseguir comprar alguns souvenires e coisinhas a preços mais razoáveis.

Bruna Garcia /ANBA
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