São Paulo – O Relatório Comércio e Desenvolvimento 2015 divulgado nesta terça-feira (06) pela Conferência das Nações Unidas para o Comércio e o Desenvolvimento (Unctad) afirma que o sistema financeiro internacional precisa de uma ampla reforma, com uma agenda de longo prazo que resulte na criação de um banco central global e até em uma moeda internacional em substituição ao dólar.
O documento observa que após a crise de 2008, os bancos centrais adotaram medias que recuperaram os mercados financeiros, ampliaram a liquidez, o lucro voltou para patamares ainda maiores do que antes da crise e o mercado imobiliário se recuperou. Em alguns casos um novo boom surgiu. No entanto, o crescimento do emprego tem sido “fraco”, os salários reais ficaram estagnados ou até se reduziram, o investimento ainda tem dificuldade em deslanchar e o aumento da produtividade está “engatado em segunda marcha”.
“Sete anos depois, em um cenário de lenta demanda global, aumento da desigualdade de renda e persistente fragilidade financeira, a economia mundial continua vulnerável aos caprichos do dinheiro e das finanças”, afirma o documento.
O relatório da Unctad reconhece que os países emergentes, assim como os ricos, adotaram medidas para conter os efeitos da crise sobre suas economias. No entanto, estão sofrendo as consequências de uma economia mundial que ainda cresce e se recupera com dificuldade. As previsões da Unctad indicam que os países em desenvolvimento, de forma geral, terão um crescimento de 4% em 2015, porém, muito em razão dos desempenhos de nações asiáticas em suportar os choques internacionais.
Por outro lado, os países da América Latina, sobretudo México e nações sul-americanas, e alguns estados localizados na Ásia, como os árabes e ex-repúblicas soviéticas, estão passando por uma “significativa desaceleração”, em razão dos baixos preços das commodities e do reduzido fluxo de capital para eles, que já levaram a medidas de aperto fiscal. Na África os efeitos são “mistos”.
O documento afirma que o “colapso” de Bretton Woods, a crise de 2008 e suas consequências motivam uma reforma no sistema financeiro internacional. O acordo de Bretton Woods foi assinado em 1944 ainda durante a Segunda Guerra Mundial para garantir a estabilidade financeira dos países. Dele resultaram o padrão dólar para negócios internacionais, a criação do Fundo Monetário Internacional (FMI) e do Banco Mundial.
Ao pedir a reforma do Sistema Financeiro Internacional, a Unctad reconhece que o projeto é difícil e de longo prazo, e sugere alternativas como a criação de medidas regionais e inter-regionais para reduzir a necessidade de acúmulo de moeda estrangeira e para que se obtenha o fortalecimento econômico. O documento também reconhece que um grande desafio é reformar um sistema financeiro que tem como padrão uma moeda nacional – o dólar. “Soluções estão disponíveis, porém, uma ação específica da comunidade é necessária para que as finanças fiquem a serviço de um mundo mais digno, estável e inclusivo”, afirma a Unctad.


