Alexandre Rocha, enviado especial
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Cairo – A passagem pelo Egito da delegação empresarial brasileira que está em viagem ao Norte da África vai render novos negócios no futuro próximo. Esta foi a avaliação da maioria dos representantes de companhias brasileiras que participaram ontem (04) de rodadas de negócios com empresários egípcios, no Cairo. As oportunidades abertas incluem exportação, nomeação de distribuidores e até investimentos no país árabe.
De acordo com Daniel Shnorr, da Link Worldwide, que representa oito empresas do setor de componentes para calçados e acessórios de couro, os contatos feitos ontem podem render US$ 200 mil em exportações até o final do ano. Os produtos mais procurados, segundo ele, foram couros, químicos para acabamentos de couros e calçados e couro reciclado.
"Quero retornar mais duas vezes aqui este ano, eles me solicitaram cotações de vários itens", disse Shnnor. Ele destacou, porém, que o Egito é um mercado em que ele já vinha trabalhando, incluindo cinco visitas durante o último ano e meio, tanto que já tem clientes nos país. "Já existe uma relação comercial de mais longo tempo, não foi algo que aconteceu da noite para o dia", afirmou.
Já o representante do Instituto Brasileiro de Frutas (Ibraf), Paulo Passos, disse que teve bons contatos com empresas de médio a grande porte, interessadas na importação de sucos e até de frutas frescas. No caso das frutas, as mais demandadas foram mamão papaia, manga e melão. Um dos empresários que compareceu à rodada estava interessado, inclusive, na distribuição dos produtos para outros países árabes e da África. Para ele, os contatos devem render US$ 150 mil em negócios, que vão depender da ação das empresas associadas ao Ibraf.
Eduardo Moraes, da Latinex, empresa que comercializa alimentos e bebidas, disse que os contatos que recebeu foram bastante focados em seu negócio e os empresários tinham grande conhecimento do mercado. Segundo ele, existem muitos produtos alimentícios importados no Egito. "O nível de preços no Egito é baixo, mas o mercado é muito competitivo, até porque a indústria local é forte e exportadora", disse.
Até a goiabada fez sucesso. Ivini Granado, da Predilecta Alimentos, entrou em contato com empresários que têm conhecimento do mercado e estão interessados em trabalhar como distribuidores. "Acredito que dá para fechar negócios, eles conhecem a goiaba, mas a branca, a vermelha é novidade. Eles querem distribuir um monte", disse.
Minas
No caso da Movexport, consórcio de exportação de móveis de Ubá, em Minas Gerais, houve até disputa de catálogos. Segundo Andréa de Freitas Mello, representante do consórcio, três empresários estão interessados em montar showrooms no Cairo. De acordo com ela, os preços dos móveis brasileiros são mais competitivos do que os chineses. No entanto, o design dos produtos brasileiros chamou mais a atenção. Os produtos mais procurados foram móveis para sala e também para dormitórios.
Luc Galle e Márcio Lário, da Nitriflex, fabricante de borrachas sintéticas, acreditam na exportação de 250 toneladas por ano, no valor de US$ 500 mil. "Vamos fazer negócios aqui", disse Galle. Os dois ainda vão visitar potenciais importadores hoje.
Na área de ferramentas, os negócios também caminharam. "Tive dois bons contatos que conheciam nossa marca", disse Sérgio Teizen, da Starret, fábrica de ferramentas. Ele acredita que com um bom contrato de distribuição é possível vender cerca de US$ 200 mil por ano. "Para quem está começando no mercado isto é muito bom", afirmou.
Para Maurício Manfré, da Associação Brasileira dos Fabricantes de Equipamentos Médicos, Odontológicos e Laboratoriais (Abimo), os contatos feitos podem render entre US$ 450 mil e US$ 500 mil em negócios para as empresas da associação. Ele fez cerca de 15 contatos e as maiores demandas foram por equipamentos eletromédicos, odontológicos e para laboratórios.
Investimentos
E possibilidades de investimentos também surgiram. Segundo Manfré, seu setor busca oportunidades de abertura de empresas no exterior e o Egito é uma opção. Uma idéia é montar os produtos no país, a outra exportar a tecnologia e utilizar insumos locais, como a carcaça metálica, para aproveitar os acordos comerciais que o país tem com a União Européia, outras nações árabes e africanas.
Na mesma linha, Edmilson Marcondes Santos, da Usmatic, que quer ter uma parceria industrial no Norte da África, conheceu um empresário interessado em produzir mini-pivôs para pequenas áreas agrícolas e quer importar a tecnologia. Santos quer também produzir localmente hidrômetros. No Egito, ao contrário do Brasil, não são as companhias de abastecimento de água que fornecem o produto, mas os próprios consumidores que compram.
"Fui a uma loja de eletrodomésticos e vi hidrômetros para vender", disse. É preciso, porém, aprovação do governo para o equipamento. "Mas nossos produtos têm aprovação nos Estados Unidos e na Europa, então não creio que seja difícil conseguir aqui", disse.
Jornalistas
Ontem também a Câmara de Comércio Árabe Brasileira e a Agência de Promoção das Exportações e Investimentos do Brasil (Apex), que organizaram a missão, promoveram uma entrevista coletiva, na qual compareceram 56 jornalistas, além de três emissoras de televisão. O vice-presidente de marketing da Câmara Árabe, Rubens Hannun, disse que o comércio entre o Brasil e o mundo árabe cresceu mais nos últimos dois anos do que em toda a década de 1990. Ele lembrou que durante a passagem da delegação brasileira, empresários egípcios anunciaram que vão realizar uma missão ao Brasil no final do ano.
Antes, porém, a Câmara vai realizar um estudo de mercado para identificar os setores mais promissores para as exportações egípcias. Ele destacou também que neste momento a entidade participa de quatro eventos comerciais no mundo árabe, além da missão ao Norte da África, uma outra do setor de construção para Dubai, a feira The Hotel Show, também em Dubai, e a Feira Internacional de Argel. Ele disse ainda que a Câmara, em conjunto com o escritório comercial do Egito em São Paulo, vai organizar seminários para a promoção da economia egípcia no Brasil.
Juarez Leal, da Apex, acrescentou que será muito bom ter parceiros no Egito, até para investimentos e constituição de joint-ventures. Ele acrescentou que ao voltar ao Brasil vai apresentar a possibilidade para o governo e entidades setoriais. Ele falou ainda sobre o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC), do governo federal, que inclui investimentos na infra-estrutura do país, redução do endividamento público e remoção de entraves aos negócios.
Hoje os empresários vão visitar indústrias egípcias, última atividade da delegação antes do retorno ao Brasil.

