São Paulo – Abu Dhabi, que detém a maior parte das reservas de petróleo dos Emirados Árabes Unidos, pretende levar a leilão alguns de seus principais campos de produção, operados em parceria com um grupo de empresas ocidentais desde 1939, quando o emirado ainda era um dos Estados da Trégua, um protetorado britânico.
De acordo com o jornal local The National, trata-se da principal área sob concessão do emirado, responsável por produzir 1,4 milhão de barris por dia, ou metade da capacidade produtiva de Abu Dhabi.
Segundo a agência de notícias Bloomberg, são campos terrestres operados pela Abu Dhabi Company for Onshore Oil Operations (ADCO), que tem como acionistas a Companhia Nacional de Petróleo do emirado (ADNOC, na sigla em inglês), ExxonMobil, Shell, BP, Total e a portuguesa Partex. A concessão vence em 2014.
“As concessões da ADCO serão levadas a leilão porque empresas serão avaliadas e as companhias que atenderem aos requisitos mínimos serão convidadas a apresentar propostas”, disse o diretor geral da ADNOC, Abdulla Nasser Al Swaidi, de acordo com a agência Reuters. A estatal detém 60% das ações da ADCO.
A reportagem do The National informa que a licitação vai representar uma mudança no método tradicionalmente utilizado pelo emirado, de negociações privadas com as empresas sobre os direitos de exploração e produção de petróleo.
A Reuters acrescenta que as empresas ocidentais têm grande participação nas concessões de Abu Dhabi há décadas e a realização de um leilão pode significar uma oportunidade para companhias asiáticas.
O The National ressalta que o emirado deu, no ano passado, direito à Coreia do Sul, parceira no programa nuclear do país, de explorar campos com reservas avaliadas em até 1 bilhão de barris, além de ter renovado acordos com o Japão, um dos principais importadores do petróleo local.
De acordo com a Bloomberg, Swaidi disse que o processo de seleção das empresas qualificadas para o leilão está em sua fase final. Novas companhias e as próprias sócias atuais devem ser convidadas a participar, segundo a agência. O governo ainda não decidiu se vai licitar os campos em conjunto ou em três ou quatro blocos separados.

