Árabes buscam o turista brasileiro

Governos do Egito e Palestina participam com estande próprio na WTM Latin America, feira do setor de turismo que ocorre em São Paulo até esta quinta-feira.

André Barros
andre.barros@anba.com.br

São Paulo – Os governos do Egito e da Palestina investiram em estandes próprios para a World Travel Market (WTM) Latin America, feira voltada ao setor do turismo realizada no Expo Center Norte, em São Paulo. Além dos dois países, a companhia aérea Emirates é outra expositora de origem árabe no evento, que está aberto até a quinta-feira (05).

O objetivo da participação de egípcios e palestinos é o mesmo: divulgar os destinos e aumentar o volume de turistas brasileiros e latino-americanos em seus países. Ambos apostam no turismo histórico e religioso, já consolidado entre os brasileiros em ambas as localidades.

Estande da Palestina: país quer divulgar além do turismo religioso.

No caso da Palestina, o investimento no espaço serve também para divulgar um novo roteiro: o de aventuras e experiência. Ali El Khatib, superintendente do Instituto Jerusalém, desenvolveu um roteiro em parceria com o governo local para atrair brasileiros jovens, em busca de experiências diferentes.

“É um novo conceito de turismo: quero que o brasileiro sinta mais a Palestina”, disse El Khatib, em entrevista à ANBA. Além dos tradicionais destinos de quem visita a Palestina, como Jerusalém, Belém, Nazaré, o Mar Morto e o Rio Jordão, o pacote inclui as cidades de Battir, Jericó, Nablus e a capital administrativa, Ramallah. “A capital é uma cidade moderna, com uma parte histórica, que oferece cafés e restaurantes deliciosos”, contou o superintendente.

O pacote é o principal atrativo do estande da Palestina, financiado pelo Ministério do Turismo a Antiguidades local com apoio da embaixada do país em Brasília. Há destaque também para o turismo que o brasileiro está acostumado a fazer na região, com foco nos destinos religiosos.

El Khatib estima que a primeira turma, composta por no máximo 20 pessoas, desembarque em novembro na Palestina. “Serão 10 dias e o pacote, com aéreo e hospedagem, custa US$ 2.750 por pessoa”, revelou.

Mohamed Mohsen acredita que o Brasil é um mercado potencial para o turismo egípcio

A poucos metros do estande palestino, diversos operadores egípcios atendem os visitantes da WTM Latin America. O Conselho de Promoção do Turismo Egípcio trouxe 14 agências do país árabe, que estão espalhados pelo espaço.

“O Brasil é um mercado potencial para o Egito. Temos notado que os brasileiros têm muito desejo em visitar o nosso país”, disse Mohamed Mohsen, diretor para a América Latina do Conselho de Promoção do Turismo local. “Há muita história e cultura no Cairo, em Luxor e Assuão, e a ‘Rota da Sagrada Família’, para o turismo religioso”, explicou.

Esse passeio, segundo o diretor, segue o caminho da Península do Sinai até o chamado Alto Egito (Sul do país). De acordo com a Bíblia, José fugiu com Maria e seu filho Jesus para o Egito. Locais importantes como a Igreja de São Sérgio fazem parte do roteiro, que procura recriar a famosa rota.

Mohsen conta que no ano passado o Egito recebeu 18 mil turistas brasileiros, um aumento de 85% sobre o resultado de 2016. A meta do governo local é chegar a 35 mil turistas brasileiros já em 2020. “Temos os desertos, as praias, mais de 30 parques naturais. Há muito o que visitar”, completou.

Além do estande oficial, algumas operadoras turísticas brasileiras especializadas em Egito expõem pacotes ao público da WTM. Dubai é outro destino árabe explorado por essas agências. Aberta na terça-feira (03), a feira conta com mais de 600 expositores de todos os continentes.

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André Barros/ANBA
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