Árabes participam de rodada de negócios de frutas da Apex

Rodada de Negócios faz parte do Projeto Comprador do setor de Frutas da Apex-Brasil. Evento ocorreu nesta quinta-feira, em São Paulo, e reuniu 28 empresas brasileiras e 16 compradores de 13 países. Entre eles, Jordânia, Líbano e Emirados Árabes.

Bruna Garcia Fonseca
bruna.garcia@anba.com.br

São Paulo – Mangas, limões, avocados, bananas, maçãs, uvas e mamões foram exibidos nesta quinta-feira (19) na rodada de negócios do Projeto Comprador do setor de Frutas da Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (Apex-Brasil), em uma sala de eventos do hotel Grand Hyatt, em São Paulo. As 28 empresas exportadoras participantes vendem também figos, laranjas, lichias, melões, melancias e caquis. Dezesseis compradores de treze países participaram da rodada, e entre eles, três árabes, da Jordânia, Líbano e Emirados Árabes Unidos.

A empresa jordaniana Jabaly Agriculture trouxe o representante Baher Mustafa. Pela primeira vez no Brasil, o gerente de comércio exterior de frutas e verduras frescas disse estar otimista com os contatos que fez. “Foi um evento que nos abriu os olhos para as oportunidades do mercado brasileiro. Visitamos fazendas e produtores e temos pela frente o obstáculo logístico a enfrentar, mas devemos fechar negócio no próximo mês”, avaliou o executivo.

Antes da rodada de negócios, a Apex promoveu visitas a duas fazendas produtoras, a Agrícola Famosa, de melões e melancias, em Mossoró, e a Finoagro, de mangas, em Açu, ambos municípios no estado do Rio Grande do Norte. Todos os compradores convidados participaram das visitas e puderam acompanhar o processo produtivo das fazendas.

Segundo Mustafa, as frutas brasileiras são produtos de primeira qualidade. “Se o público jordaniano gostar das frutas, pensamos em transportá-las de avião pela Qatar Airways, passando por Doha, até chegar em Amã”, disse. Ele contou que a empresa costuma comprar o produto da África do Sul e da Europa, e que a logística pelo porto seria muito complicada pelo porto de Amã, pois levaria cerca de 30 a 35 dias para as frutas chegarem ao país.

Também é a primeira vez que o libanês Rani Akiki, CEO da All Fresh Sal, vem ao Brasil. Sediada em Beirute, a empresa compra frutas do mercado interno e da Europa, principalmente da Holanda, e agora pretende diversificar. “Temos uma pequena produção de mangas, avocados e uvas por cerca de sete meses no ano no Líbano, no Vale do Bekaa, e agora pensamos em comprar do Brasil para complementar a demanda durante o inverno no país”, afirmou.

“Foi um evento muito rico, fizemos muitos contatos. Visitamos as fazendas produtoras, são propriedades enormes com grandes produções”, avaliou Akiki. Ele pretende negociar o frete com algumas empresas brasileiras e, em um futuro próximo, começar a importar frutas como mangas, mamões e limões pelas companhias aéreas Emirates ou Turkish. “Sai mais caro, porém o produto chega muito mais fresco, porque de navio levaria cerca de quarenta dias, e para frutas não é tão viável”, explicou. “Também vamos avaliar a questão alfandegária, porque não temos acordo de livre comércio com o Brasil”, lembrou.

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T.X. Borgio, gerente geral assistente da Fit Fresh, dos Emirados Árabes Unidos, acompanhou a visita de exportadores brasileiros a Dubai, promovida pela Apex em julho. E com interesse em comprar, veio ao Brasil como um segundo contato com as empresas nacionais.

A Fit Fresh compra frutas e vegetais frescos para processamento e abastecimento de clientes como a companhia aérea Emirates, e produz sucos, frutas picadas, smoothies e saladas. “Estamos finalizando a negociação de produtos, preços e logística, e pretendemos comprar laranjas, melões, melancias e mangas. Gostamos muito da qualidade dos melões brasileiros”, comentou. A empresa compra frutas de países como Austrália, Estados Unidos, África do Sul, Egito e Espanha. “O Brasil está aumentando sua produção agrícola sistematicamente e adaptando processos de higienização e de segurança alimentar, o que é muito importante para nós; pelo que pude ver, as fazendas não utilizam muitos agrotóxicos, e os que estão usando são permitidos no nosso país”, avaliou.

O evento é organizado pela Apex-Brasil em parceria com a Associação Brasileira dos Produtores Exportadores de Frutas e Derivados (Abrafrutas). O diretor de projetos da associação, Jorge de Souza, disse que a entidade ajuda na mobilização das empresas brasileiras que já exportam ou buscam entrar no mercado exportador.

De acordo com Igor Brandão, gerente de Agronegócios da Apex, o apoio entre o setor público e privado é importante para o andamento dos negócios. “Temos um tipo de parceria público-privada com a Abrafrutas, e o custo-benefício de fazer uma agenda de visitas e rodadas de negócios é muito interessante, porque sai muito mais barato do que montar um grande estande em uma feira internacional”, disse Brandão. Segundo ele, os produtos frescos têm uma logística e um perfil de comprador diferente dos demais alimentos, mais especializados.

“As rodadas de negócios favorecem o fortalecimento das relações entre as empresas, e no caso dos árabes, eles sabem que o Brasil tem um grande comprometimento com questões de sustentabilidade e segurança alimentar, e que somos um provedor regular, muito bem visto no mercado internacional”, avaliou Souza.

Esta é a terceira edição do projeto comprador do setor de frutas da Apex, e de acordo com Brandão, vem se ampliando a cada ano, com mais empresas, mais compradores e de mais países do que nas edições anteriores. Este ano, os potenciais compradores vieram da Itália, Irlanda, Espanha, Dinamarca, Eslováquia, Reino Unido, Rússia, Emirados Árabes, Jordânia, Líbano, Estados Unidos, Uruguai e Argentina. Foram realizadas cerca de 350 reuniões em um dia, cada uma com duração de vinte minutos.

“A exceção é fechar o negócio aqui, porque é um primeiro contato. Geralmente, os negócios acontecem ao longo dos próximos meses e nós fazemos esse follow-up para saber os desdobramentos do evento. Entramos em contato com as empresas participantes para saber se elas fizeram vendas, quais impactos foram gerados para a empresa também na adequação de embalagens e processos produtivos, na otimização de custos e logística, ou alguma adaptação na produção. As empresas ganham maturidade exportadora ao participar das rodadas de negócios”, concluiu Brandão.

 

Bruna Garcia/ANBA
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