Aspa: articulação com a ONU em desertificação

Como resultado do encontro sobre tecnologias de convivência com regiões áridas e semiáridas, árabes e sul-americanos se propõem a trabalhar em sinergia com as Nações Unidas.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – Os especialistas árabes e sul-americanos que trabalham com regiões áridas e semiáridas pretendem atuar em sinergia com a Convenção de Combate à Desertificação das Nações Unidas (UNCCD). É o que diz o conteúdo de uma carta lançada ao final do Workshop Tecnologias de Convivência em Regiões Áridas e Semiáridas, que ocorreu na última semana em Campina Grande, no estado da Paraíba. A UNCCD é o órgão das Nações Unidas que orquestra uma série de ações para o combate à desertificação mundial.

De acordo com Roberto Germano Costa, que esteve à frente do encontro na Paraíba como diretor do Instituto Nacional do Semi-Árido (Insa), a carta de deliberações foi redigida durante o encontro e fala também da importância de fortalecer o mecanismo da Cúpula América do Sul-Países Árabes (Aspa). A Aspa foi criada em 2005 pelo então presidente do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, como instrumento de aproximação da América do Sul com os países árabes. A troca de experiências em regiões de seca é uma das áreas de atuação.

O Insa é o instituto encarregado, no Brasil, de centralizar a cooperação de tecnologias de convivência com a seca no âmbito da Aspa e, de acordo com Costa, o encontro em Campina Grande, o primeiro orquestrado pelo Insa com representantes do mundo árabe, foi bem sucedido. Além de falarem das suas experiências, os participantes das duas regiões conheceram projetos de campo, como a produção de leite com caprinos em Monteiro e um projeto de dessalinização com aproveitamento de rejeitos em São João do Cariri.

De acordo com Costa, o projeto de dessalinização, segundo ele, chamou bastante atenção dos participantes. Eles também conheceram o sistema de cisternas e barragens subterrâneas utilizadas no estado, mas, de acordo com Costa, isso não é muita novidade para eles. O diferencial, segundo Costa, é que o uso das cisternas, no Brasil, faz parte de política pública. Também foi possível concluir, segundo Costa, que os projetos com caprinocultura são muito comuns, assim como no Brasil, também nos países árabes.

Segundo Costa, a partir de agora serão verificados os próximos passos do trabalho conjunto na área. O workshop, da qual participaram cerca de 30 pessoas, foi uma das últimas ações de Costa à frente do Insa, já que ele deixou a instituição ao final do encontro e será substituído pelo agrônomo e professor da Universidade Federal da Paraíba, Ignácio Hernán Salcedo. O cargo é nomeação do governo. O workshop em Campina Grande foi promovido pelo Insa, Ministério das Relações Exteriores, Agência Brasileira de Cooperação (ABC) e Aspa.

Publicações relacionadas