Banco Mundial aprova projeto de US$ 246 milhões para Líbano

Montante deverá ser revertido para desenvolver um sistema de distribuição de rede de segurança social que apoie famílias em condições de pobreza e vulnerabilidade.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – A diretoria executiva do Grupo Banco Mundial (BM) aprovou nesta terça-feira (12) um contrato de empréstimo de US$ 246 milhões para o Líbano. O montante servirá para apoiar a transferência emergencial de renda e acesso a serviços sociais para cerca de 786 mil libaneses em situação de pobreza e vulnerabilidade que enfrentam a crise econômica e a pandemia de covid-19 no país árabe.

Batizado de Projeto de Rede de Segurança Social em Resposta à Covid-19 e à Crise Emergencial, a iniciativa também apoiará o desenvolvimento de um sistema nacional que prepare o país para reagir melhor aos cenários em curso e futuras crises. Segundo a agência oficial de notícias libanesa, NNA, o ministro interino das Finanças, Ghazi Wazni (foto acima), assinou a ata de negociação com base nos termos do projeto ainda no dia 12.

O projeto fornecerá às famílias libanesas selecionadas uma assistência em dinheiro por um ano. Os domicílios qualificados receberão uma transferência mensal de 100 mil libras libanesas por membro do domicílio (o equivalente a US$ 66,33 pela cotação atual), além de um valor fixo de 200 mil libras (US$ 132,67) por domicílio.

O valor da transferência por família será carregado mensalmente em um cartão pré-pago distribuído às famílias, que poderão sacar o valor em caixas eletrônicos ou usá-lo diretamente para fazer pagamentos eletrônicos em uma rede de lojas de alimentos.

Outro benefício será dado a 87 mil crianças com idades entre 13 e 18 anos. Eles receberão uma transferência complementar em dinheiro para cobrir os custos para estudo, como taxas de matrícula escolar, custos de livros escolares, transporte e despesas com uniforme escolar e equipamento de informática e conectividade com a Internet para o ensino à distância.

O Banco Mundial afirmou que o Líbano tem enfrentado crises sem precedentes. “Uma grave crise econômica e financeira levou a um declínio projetado de 19,2% no PIB em 2020, uma inflação de três dígitos e um aumento projetado da pobreza para 45% e da pobreza extrema para 22%. Estima-se que aproximadamente 1,7 milhão de pessoas estejam abaixo da linha de pobreza, das quais 841 mil pessoas estarão abaixo da linha de pobreza alimentar”, diz o texto emitido pela instituição.

A situação do país foi agravada pela pandemia de covid-19. Neste mês, o governo libanês decidiu retomar o lockdown para tentar barrar o aumento no número de infectados. Nesta segunda-feira (11), o país declarou estado de emergência sanitária. Atualmente, segundo a Organização Mundial de Saúde, o país registrou 231.936 casos confirmados, e contabiliza 1.740 mortos pela doença.

Somado a isso, em agosto do ano passado, a capital do país sofreu uma explosão em seu porto. A tragédia resultou em mortes e, segundo o Banco Mundial, deixou danos estimados entre US$ 3,8 bilhões e US$ 4,6 bilhões e levou a mais uma onda de migração e fuga de cérebros.

“As consequências desses choques repetidos no bem-estar econômico das famílias são de longo alcance e potencialmente desastrosas”, disse Saroj Kumar Jha, diretor Regional do Banco Mundial para o Mashreq. “Este novo projeto apoiará a expansão do programa nacional de combate à pobreza para proteger as famílias pobres e vulneráveis, especialmente as chefiadas por mulheres e as pessoas com deficiência ou idosos”, completou o diretor do BM.

National News Agency

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