Brasil importou menos fertilizantes dos árabes no ano

Fornecimento de adubos de países árabes ao mercado brasileiro somou US$ 830 milhões de janeiro a julho, com queda de 18,4%. País comprou mais da Rússia.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – O mercado brasileiro diminuiu em 18,4% as suas compras de fertilizantes de países árabes de janeiro a julho deste ano em relação ao mesmo período do ano passado, segundo dados do Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC), compilados pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira. A queda se refere a valores: o Brasil gastou US$ 830 milhões com compras de fertilizantes da região no período.

O diretor-geral da Câmara Árabe, Michel Alaby, acredita que o Brasil está comprando mais fertilizantes da Rússia para poder barganhar a venda de produtos brasileiros ao mercado de lá. A Rússia embargou a carne bovina do País e o assunto está sendo negociado. Os russos são os maiores fornecedores de adubos para o Brasil no exterior, com vendas de US$ 924,4 milhões de janeiro a julho. Houve aumento de 8,6% na comercialização no período.

Apesar na queda das importações de adubos de países árabes pelo Brasil, a região é importante fornecedora do segmento e responde por cerca de um quarto de todo o fertilizante que o País compra do exterior. Nos sete primeiros meses deste ano, o mercado brasileiro importou US$ 3,6 bilhões em geral. Os árabes responderam por 23% do total. Houve recuo na importação de adubos pelo Brasil como um todo, de 13% em valores.

No mundo árabe, o Marrocos foi o maior fornecedor de fertilizantes para o Brasil de janeiro a julho deste ano, seguido por Arábia Saudita, Catar, Argélia e Kuwait.

Os marroquinos, porém, diminuíram as vendas de adubos ao Brasil de janeiro a julho sobre iguais meses de 2017, em 27%, para US$ 251 milhões. Os sauditas reduziram as vendas em 25%, para US$ 127 milhões, e o Catar exportou 44% menos, com US$ 125 milhões. O quarto país árabe da lista de fornecedores do Brasil, a Argélia, aumentou as vendas em 97%, para US$ 82,8 milhões. O Kuwait mais que dobrou a comercialização, para US$ 67,7 milhões.

Apesar do recuo na importação brasileira de fertilizantes como um todo e dos países árabes no acumulado deste ano até julho, Michel Alaby acredita que as perspectivas futuras para as compras do produto do exterior são boas, frente aos planos do Brasil de aumento da produção agrícola. O País pretende ampliar também a produção nacional de adubos, mas o diretor geral da Câmara Árabe lembra que esse plano ainda não evoluiu muito. A importação responde por cerca de 80% do abastecimento de fertilizantes no mercado brasileiro atualmente.

Em julho, individualmente, houve aumento na importação brasileira de fertilizantes. A Associação Nacional para Difusão de Adubos (ANDA), que divulga os dados em volume, informou aumento de 0,8% nas compras do produto do exterior no mês passado, para 2,44 milhões de toneladas. O aumento ocorreu antes do início do plantio da safra 2018/2019, em setembro, e depois da greve dos caminhoneiros, entre o final de maio e começo de junho, que represou as entregas de todo tipo de produto no Brasil, inclusive de adubos.

Dados do MDIC mostram que a importação brasileira de fertilizantes de países árabes cresceu 32,2% em valores em julho sobre o mesmo mês de 2017 e ficou em US$ 183 milhões (na foto acima, fosfato da OCP).

Fadel Senna/AFP

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