Câmara Árabe anuncia criação da Casa Árabe

Presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, anunciou a iniciativa em evento virtual desta quarta-feira (22), que marcou os 68 anos da entidade. Casa Árabe funcionará inicialmente de forma virtual.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – No evento que marcou os 68 anos da sua fundação, a Câmara de Comércio Árabe Brasileira comunicou a criação da Casa Árabe. O anúncio foi feito pelo presidente da entidade, Rubens Hannun, nesta quarta-feira (22), no encontro virtual que também foi palco da divulgação da primeira pesquisa sobre a presença dos imigrantes árabes no Brasil. A Casa Árabe deve ter um papel importante no reforço da identidade da comunidade árabe brasileira.

Yazigi falou sobre imigração árabe

“Teremos que dar acesso à cultura, história e tradição em todo canto do Brasil a adultos, jovens e crianças. Para isso, estamos lançando hoje a Casa Árabe, que funcionará inicialmente de forma virtual para ir se materializando, com o tempo, fisicamente”, disse Hannun. Segundo o presidente da entidade, a casa não será voltada apenas para a cultura, mas também a outras áreas, como a gastronômica, a econômica, a social e as questões de identidade.

A pesquisa apresentada no evento apontou que parte dos descendentes de árabes, principalmente os mais jovens, estão se distanciando das suas origens. A ideia é que a iniciativa da casa ajude a retardar esse distanciamento, segundo o presidente da Câmara Árabe. A casa começará funcionando de forma virtual, para que seja acessada de todas as partes do Brasil e do exterior. “Tudo que for árabe vai ter espaço nessa casa”, relatou Hannun.

Tamer Mansour: egípcio e brasileiro

A pesquisa sobre a imigração, feita pelo Ibope Inteligência e a H2R Pesquisas Avançadas, apontou que são 11,6 milhões os árabes e seus descendentes no Brasil. “A maior população de origem árabe residente fora dos territórios árabes”, disse Hannun. O presidente do Conselho de Orientação da entidade, Walid Yazigi, lembrou que os números da comunidade eram citados de maneira aleatória antes do levantamento. “Foi por essa indeterminação que a Câmara de Comércio Árabe Brasileira deliberou fazer um censo de maneira científica”, disse.

Hannun falou da alegria de ter uma imensa e bem sucedida comunidade árabe no Brasil e lembrou que essas pessoas se identificam como brasileiros e como árabes. O secretário-geral e CEO da Câmara Árabe, Tamer Mansour, é um exemplo disso. “Eu nasci no Egito, cheguei ao Brasil há mais de 19 anos, faço parte dessa história, tenho orgulho de ser árabe brasileiro e de ser brasileiro árabe”, falou.

Com base nos dados da pesquisa, Hannun disse que o trabalho colaborativo em prol do Brasil é uma característica da comunidade árabe, algo do qual a própria Câmara Árabe é um exemplo. Ele citou ainda outros atributos dos árabes que foram apresentados no levantamento, como o empreendedorismo, o trabalho produtivo e a liderança. “Isso é protagonismo genuíno”, disse, lembrando que a história dos árabes no Brasil começou com a maioria deles mascateando pelo Brasil e hoje estão na liderança de empresas.

Gheit, da Liga Árabe, enviou vídeo gravado

Hannun falou que a Câmara Árabe vai incorporar ao seu propósito a conexão da comunidade árabe com ela mesma, com suas raízes. Além de criar a Casa Árabe, a entidade pretende editar um livro com os resultados desses estudos sobre a presença dos árabes no Brasil, que terá uma reflexão de Walid Yazigi sobre o tema. A publicação estará disponível em português, inglês e árabe.

O presidente do Conselho de Orientação da Câmara Árabe lembrou ao público, no evento virtual, da história da imigração árabe, desde as viagens do imperador Dom Pedro II aos países árabes, o que incentivou a vinda deles para o Brasil, a imigração dos sírios e libaneses em busca de melhores condições de vida ao País, até as viagens presidenciais do Brasil à região.

Alzeben participou do evento virtual

O secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit, enviou vídeo gravado ao evento, no qual falou que as relações do Brasil com os países árabes se destacam pela solidez. Ele disse que inúmeras vezes os árabes contaram com as posições políticas do Brasil, baseadas no respeito ao direito internacional, como o apoio histórico a causas árabes, especialmente a palestina. “Desejamos a continuidade desse posicionamento”, disse.

O decano do Conselho dos Embaixadores Árabes em Brasília e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, participou do evento desde a capital federal, e parabenizou a Câmara Árabe pelo aniversário de 68 anos e pela iniciativa da pesquisa sobre a imigração. Ele disse que é preciso aumentar o intercâmbio entre o Brasil e os países árabes. De acordo com o decano,  todos os países árabes, desde a Mauritânia até os do Golfo, têm muito a oferecer ao Brasil, assim como o Brasil tem muito a oferecer a eles.

Também participaram do evento a diretora da H2R Pesquisas Avançadas, Alessandra Frisso, e a CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari Nunes, que apresentaram os dados da pesquisa sobre a imigração. No evento também foram apresentados depoimentos gravados de descendentes de árabes que se destacam em suas áreas profissionais.

Leia mais reportagens sobre a pesquisa e o evento virtual:

Comunidade árabe é 6% da população brasileira, diz pesquisa

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Acompanhe o evento virtual completo abaixo:

Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe
Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe
Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe
Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe
Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe

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