Lideranças empresariais: 10% são árabes e descendentes

Pesquisa encomendada pela Câmara Árabe mostra que pessoas de origem árabe têm forte presença na liderança de empresas e associações do Brasil.

Isaura Daniel
isaura.daniel@anba.com.br

São Paulo – Entre as lideranças empresariais do Brasil, 10% são árabes e descendentes, segundo aponta pesquisa divulgada nesta quarta-feira (22) pela Câmara de Comércio Árabe Brasileira em evento virtual que marcou os 68 anos de fundação da instituição e do qual participam cerca de 1.300 pessoas. O levantamento mostra que as pessoas de origem árabe têm presença expressiva também à frente de associações do País, nas quais elas representam 26% das lideranças.

Os dados fazem parte de uma grande pesquisa sobre a presença árabe no Brasil realizada pelo Ibope Inteligência e pela H2R Pesquisas Avançadas a pedido da Câmara Árabe. O Ibope levantou os dados gerais da amostra, como o número de pessoas de origem árabe no Brasil e seus descendentes, e a H2R se aprofundou em alguns temas, como o perfil dessa população e a presença dos árabes em posições de liderança no Brasil. Para esse último levantamento foram realizadas 803 entrevistas.

A pesquisa considerou lideranças pessoas que são donas, fundadoras, sócias, C-levels ou diretoras de empresas e entidades. “A gente se surpreendeu com os resultados”, disse a diretora da H2R Pesquisas Avançadas, Alessandra Frisso (foto acima), que apresentou a parte do levantamento feito por seu instituto no evento virtual da Câmara Árabe.

Nas pequenas empresas, 10% das lideranças são árabes ou descendentes, mesmo percentual registrado nas companhias de médio porte. Nas empresas grandes, esse percentual sobe para 12%. O setor em que esses executivos e empreendedores estão mais presentes é no agronegócio, onde eles são 12% das lideranças, seguido por comércio e indústria, com 11%, e da área de serviços, com 9%.

A pesquisa mostra que as lideranças árabes se sentem muito engajadas com a comunidade árabe. Tanto que 95% já visitou um país árabe e 33% participou de algum evento sobre países árabes. Elas têm forte crença de que os países árabes são importantes para a economia brasileira e investem mais do que a média das lideranças em geral no relacionamento internacional dos seus negócios.

Os líderes com ascendência árabe costumam fazer mais negócios que a média dos demais executivos com os países árabes, especialmente com Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita e principalmente no agronegócio. Enquanto 22% das lideranças árabes negociam com os países árabes, esse percentual, entre os demais líderes, é de 15%. “A comunidade árabe que está na liderança de empresas e de associações tem uma força muto grande para buscar negócios com os países árabes”, diz Frisso.

A CEO do Ibope Inteligência, Márcia Cavallari Nunes, apresentou os dados gerais da pesquisa e descendentes de árabes de destaque enviaram depoimentos por vídeo ao evento. Também falaram no encontro o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, o presidente do Conselho de Orientação, Walid Yazigi, e o secretário-geral, Tamer Mansour, além do decano do Conselho dos Embaixadores Árabes no Brasil e embaixador da Palestina, Ibrahim Alzeben, e o secretário-geral da Liga Árabe, Ahmed Aboul Gheit.

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Acompanhe o evento virtual completo abaixo:

Rodrigo Rodrigues/Câmara Árabe

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