Diretoras são destaque na Mostra Mundo Árabe de Cinema

Dos 12 filmes da programação, sete são dirigidos por mulheres. A 14ª edição do festival teve início nesta quarta-feira, em São Paulo.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Dos 12 filmes da 14ª Mostra Mundo Árabe de Cinema, sete são dirigidos por mulheres. O festival começou na noite desta quarta-feira (07) no CineSesc, em São Paulo, e vai até 14 de agosto no mesmo local. Após este período, a mostra volta de 16 a 28 de outubro, com programação especial, daí com 20 produções, no Centro Cultural Banco do Brasil (CCBB-SP).

O evento é organizado pelo Instituto da Cultura Árabe (Icarabe) e pelo Serviço Social do Comércio (Sesc-SP), com copatrocínio da Câmara de Comércio Árabe Brasileira em parceria com a Federação das Associações Muçulmanas do Brasil (Fambras) e o Instituto do Sono. Quatro filmes são inéditos. Na cerimônia de abertura, estiveram presentes o presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, o vice-presidente de Relações Internacionais, Osmar Chohfi, e a diretora cultural, Silvia Antibas.

O presidente da Câmara Árabe, Rubens Hannun, falou durante a abertura da Mostra

“Pelo 14º ano estamos aqui muito satisfeitos e honrados. Agradeço a parceria do Icarabe. Aproveito para dizer que esse festival é extremamente importante e se encaixa perfeitamente no propósito da Câmara, que é conectar árabes e brasileiros para o desenvolvimento econômico, social e cultural, e aí tem papel fundamental”, pontuou Hannun em fala na abertura do evento.

O curador da mostra e diretor cultural do ICArabe, Arthur Jafet, explicou que o protagonismo feminino veio naturalmente. “Não foi nossa intenção que fosse nomeado dessa forma (maioria de filmes produzidos por mulheres), foi reconhecido pela qualidade dos filmes. Os filmes foram escolhidos pelo bom desempenho nos festivais e coincidiu de haver sete mulheres”, disse Jafet à ANBA.

A curadoria foi por dívida em três assuntos principais: a “Chama de insurreição”, sobre o questionamento político do povo frente aos estados; a “Memória”, sobre a revisitação dos países por pessoas que estiveram fora e agora retornam; e “Os refugiados”, sobre a crise de deslocamento.

“Apesar da enorme diversidade dos 22 países que compõem o mundo árabe, a cultura, costumes, política e estilo de vida dessas nações ainda estão submetidas a uma visão negativa, simplista e estereotipada”, afirmou Jafet. “O cinema não está livre de ser abatido pela desinformação e incompreensão, sobretudo quando não se está falando dos filmes de Hollywood. A importância de uma mostra é justamente salvar da invisibilidade obras que serão desconhecidas do público. No caso dos filmes árabes, isso se torna uma missão”, acrescentou.

Silvia Antibas acredita que o evento é extremamente importante para mostrar a criação cinematográfica e as culturas árabes. “É muito diverso, cada região tem um tipo de especialidade. É importante para mostrar, conhecer o outro, e ser conhecido. Só através de conhecer o outro a gente consegue respeitar e ser respeitado”, declarou ela.

Sofia Djama

A abertura da mostra contou com a presença da cineasta argelina Sofia Djama (de vestido amarelo na foto do alto). A diretora do filme que foi exibido no primeiro dia de festival, “Os Afortunados”, agradeceu o convite para filmes produzidos em países como Marrocos, Tunísia e Argélia. “Antes de mais nada, quero agradecer o festival que convidou muitos filmes Magreb. Quando a gente fala Magreb, a gente fala do mundo árabe, mas claro, África e Mediterrâneo”, explicou.

Para a argelina, a exibição em uma sala como a do CineSesc, que recebe o cinema independente, significa um ato de militância. “E vocês, caro público, são as pessoas que fazem com que essas salas que apresentam o cinema independente resistam. Por favor, continuem frequentando as salas de cinema. Tragam seus filhos e seus netos, porque isso é a resistência ao populismo”, declarou a diretora.

Sofia acredita que a cultura é feita de ciclos e explica o que marcou sua vivência. “Pertenço a uma geração na Argélia que não conheceu salas de cinema. No entanto, aqui estou eu apresentando meu filme. Como pode ocorrer esse milagre? Porque há pessoas que nos transmitiram um amor incondicional ao cinema”, concluiu a cineasta. Sua produção traz a história de duas gerações num contexto de guerra civil.

Serviço

14ª Mostra Mundo Árabe de Cinema
até o dia 14 de agosto
Cinesesc
Rua Augusta, 2075
Cerqueira César, São Paulo
Ingressos de R$ 3,50 a R$ 12
Site da Mostra

Confira a programação completa na reportagem Mostra Mundo Árabe de Cinema traz quatro filmes inéditos

Divulgação
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