São Paulo – “A moeda” é o romance de estreia da escritora palestina Yasmin Zaher, de 35 anos, e recupera, a partir da trajetória da personagem, memórias que se relacionam à identidade, pertencimento e classe. Premiado nos Estados Unidos, o livro teve a inspiração de Clarice Lispector, escritora ucraniana que viveu no Brasil. Zaher já disse em entrevistas que Lispector a levou a escrever de forma “descontrolada” e sem pensar muito no que estava dizendo.
No livro, editado no Brasil pela Cosac, a protagonista retrata sua vida em Nova York, onde vive com uma mesada que recebe do irmão mais velho com a herança recebida dos pais, mortos em um acidente. “A moeda” se desenvolve a partir da atenção extrema da protagonista por limpeza e do seu relacionamento com um homem refinado com quem passa a trabalhar.
O título de “A moeda” surge a partir de uma recordação da infância: em uma viagem com a família, a garota teria engolido uma moeda, que se alojou em seu corpo pelo resto da vida, embora ela não sinta nenhum incômodo ou indicação de que tenha, de fato, engolido a moeda. No decorrer do romance, a Palestina se manifesta no passado da protagonista, em memórias e na convivência com os pais.
Coletânea de poemas e ensaios
Outro lançamento da Cosac é “Se eu tiver que morrer”, de Refaat Alareer. Poeta e professor palestino, Alareer foi morto em 2023 por um bombardeio em Gaza ao lado do irmão, da irmã e de quatro sobrinhos. A obra que agora chega aos leitores brasileiros é uma coletânea de ensaios e poemas escritos de 2010 até o ano de sua morte e nos quais ele compartilha sua resistência diante do conflito em sua terra natal e seus pensamentos sobre literatura e política, entre outros temas. Os dois livros estão previstos para chegar às lojas físicas e online no final deste mês.
Serviço
“A moeda”
Yasmin Zaher
304 páginas
R$ 89,00
Editora Cosac
“Se eu tiver que morrer – prosa e poesia”
Refaat Alareer
264 páginas
R$ 89,00
Editora Cosac


