São Paulo – Os estrangeiros vão moer 25% da cana-de-açúcar brasileira num prazo de três a cinco anos. A previsão é do presidente da Datagro, Plinio Mario Nastari, que abriu ontem (19) a 9ª Conferência Internacional da Datagro sobre Açúcar e Álcool, em São Paulo. A empresa faz serviço de análise para o setor e promove o evento anualmente. Segundo Nastari, atualmente o capital estrangeiro já é responsável pela moagem de 16,6% da cana-de-açúcar do país. Nastari afirma que está havendo uma mudança no perfil do setor, com empresas cada vez maiores, e neste processo está incluso o capital estrangeiro.
Segundo o secretário de Produção e Agroenergia do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), Manoel Vicente Bertone, não há notícia de participação árabe nas usinas, mas ele acredita que é possível atrair o capital da região. “Eles são fortes no setor de energia”, afirma Bertone, sobre a produção de petróleo. O governo brasileiro vem fazendo um esforço para levar a tecnologia do etanol para os países africanos e Bertone acredita que os árabes poderiam também investir na produção do etanol na África, continente que também abriga, inclusive, países árabes. Bertone foi um dos palestrantes do encontro.
Os esforços para levar tecnologia de produção de etanol a outras nações fazem parte da tentativa de transformar o produto em uma commodity e, assim, criar não só novos produtores, como abrir novos mercados. Neste sentido, o secretário de Tecnologia Industrial do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), Francelino Lamy de Miranda Grando, anunciou que o Brasil acertou, na última semana, em uma parceria com a agência ambiental das Nações Unidas (ONU), a transferência da tecnologia do etanol para o Quênia e Senegal. Esse tipo de ação será feita, de agora em diante, com a parceria da ONU.
Financiamento
O vice-presidente de operações da Dedini, José Luiz Olivério, que esteve presente no encontro como participante, afirmou que um dos problemas para implantação de projetos de usinas na África é o financiamento. A Dedini produz equipamentos para usinas e faz todo o serviço de implantação das empresas. Segundo Olivério, na usina que foi inaugurada neste ano, no Sudão, que fica na África e é país árabe, a questão financeira levou cerca de um ano para ser equacionado. Em outro projeto recente no continente, relata ele, também o tempo necessário foram oito meses. Nestes dois casos, os recursos não vieram do Brasil.
Grando concordou que é necessário a participação do governo brasileiro nesta área financeira também. “Exige uma ação articulada do governo (com o setor privado)”, disse ele. Segundo o secretário do Ministério do Desenvolvimento, enquanto o Brasil for o único produtor de etanol, será também o único mercado. “Temos ido país a país, ministério a ministério, governo a governo”, falou Grando, sobre as iniciativas do governo em expandir para outras regiões do mundo a produção de etanol.

