Evento reafirma expertise do Museu Nacional em egiptologia

Semana de Egiptologia começa nesta segunda-feira e exibirá peças resgatadas após incêndio que atingiu a instituição em 2018. ‘A egiptologia continua firme e forte. Sofremos um baque, mas continuamos. Resistimos’, destacou Pedro Von Seehausen, um dos organizadores do evento.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Pelo sétimo ano consecutivo o Museu Nacional do Rio de Janeiro vai promover a Semana de Egiptologia. O evento deste ano é marcado pelos esforços em manter a instituição ativa mesmo após o incêndio que a atingiu em 02 de setembro de 2018. “É uma forma de mostrar que a gente continua a trabalhar com egiptologia. Muita gente falava que agora acabou a egiptologia no Brasil. A egiptologia continua firme e forte. Sofremos um baque, mas continuamos. Resistimos”, declarou à ANBA Pedro Von Seehausen (foto acima), doutorando em Arqueologia pelo Museu Nacional/UFRJ e um dos organizadores da Semana de Egiptologia.

O evento tem início nesta segunda-feira (30) e vai até 04 de outubro. A Semana será realizada no auditório do Horto Botânico, prédio anexo ao Museu Nacional, na Quinta da Boa Vista, em São Cristóvão, na capital fluminense. Apesar do local já estar aberto à visitação do público, esta é a primeira vez que a imprensa terá acesso depois do incêndio.

O escaravelho-coração, amuleto que estava no sarcófago de Sha Amun En Su.

Até agora, mais de 300 peças relacionadas ao Egito já foram resgatadas. “Continuamos com a maior coleção de egiptologia do Brasil”, destacou Von Seehausen. A instituição vai expor no evento 11 peças egípcias que sobreviveram ao incêndio.

Entre elas, está o escaravelho-coração da Sha Amun En Su. “Talvez seja essa seja uma das peças principais, porque nunca foi exposta ao público. É uma peça que fazia parte [estava dentro do caixão], era o amuleto da Sha Amun En Su. O sarcófago estava fechado por 2.700 anos. Sabíamos da existência dele [escaravelho] graças a uma tomografia. Quando teve o incêndio, fizemos um trabalho de pesquisa para conseguir encontrar o escaravelho junto com os outros 8 amuletos”, revelou o pesquisador.

Múmia em realidade virtual

Uma das peças que faziam parte do acervo era uma múmia de 2 mil anos, que havia sido comprada por D. Pedro I. Conhecida como Múmia Romana, ela se perdeu no incêndio, mas com base em uma tomografia foi possível recriá-la em realidade virtual. A exibição da múmia será feita em parceria com o Instituto de Matemática Pura e Aplicada do Rio de Janeiro.

Para realizar o evento, o museu contou com apoio financeiro da Capes (Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior) para conseguir trazer pesquisadores brasileiros, argentinos e franceses. “Para mim, é bastante especial. Eu fui aluno do museu desde 2012. Foi o lugar onde me formei e aprendi todos os conceitos de museologia. Esse evento sempre foi muito importante para mim. Recebemos diversas comunidades muito importantes. É uma forma de resistência”, pontuou Von Seehausen.

Além das exibições, a Semana de Egiptologia terá uma grade de palestras e debates. Entre os pesquisadores que se apresentarão estão brasileiros e argentinos de diferentes instituições, incluindo o doutor Ivan Guermeur, da École Pratique des Hautes Études, de Paris, e a professora doutora Isabelle Régen, também da França, responsável pelas escavações de uma das maiores tumbas do Egito.

Serviço
Semana de Egiptologia do Museu Nacional
A partir das 8h30
De 30 de setembro a 04 de outubro
Auditório do Horto Botânico do Museu Nacional – São Cristóvão – Rio de Janeiro
Programação e inscrições: https://seshat.museunacional.ufrj.br/semna/

Tomaz Silva/Agência Brasil
Divulgação

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