São Paulo – A Organização das Nações Unidas para Agricultura e Alimentação (FAO) divulgou nesta quinta-feira (06), em Roma, seu relatório anual. No estudo O estado da alimentação e da agricultura 2012, a instituição defende que os produtores estejam no centro dos investimentos destinados à agricultura, assim como apoia priorizar os setores que possam garantir crescimento e retorno ao agricultor.
De acordo com levantamento da entidade, há aproximadamente um bilhão de produtores rurais no mundo, sejam grandes ou pequenos. Os agricultores dos países pobres e em desenvolvimento investem mais de US$ 170 bilhões por ano, aproximadamente US$ 150 por produtor, segundo os cálculos da FAO. Isso equivale, segundo a instituição, ao triplo dos investimentos realizados em outros setores, quatro vezes mais do que as contribuições do setor público e mais de 50 vezes o que estes países ofereceram em assistência.
O estudo afirma que os países que mais investiram nos produtores agrícolas foram também aqueles que tiveram mais sucesso no combate à fome e no alcance das Metas de Desenvolvimento do Milênio da ONU, que é um conjunto de objetivos que cada país deve atingir até 2015 para reduzir a pobreza mundial.
As regiões que tiveram mais dificuldade em avançar nas Metas do Desenvolvimento do Milênio, afirma o estudo, foram também aquelas em que o investimento nos produtores agrícolas ficou estável ou regrediram nos últimos 30 anos. O estudo indica, por exemplo, que governos que investiram o equivalente a US$ 700 por trabalhador da agricultura entre 2005 e 2007 tinham menos de 5% da população passando fome. Já nas nações que investiram menos de US$ 100 por trabalhador da agricultura, mais de 25% da sua população era desnutrida.
Outras medidas
O relatório da FAO alerta que em muitos dos países pobres e médios os incentivos para que os agricultores invistam na lavoura são tímidos. Isso ocorre, em muitos casos, porque estes países não garantem os direitos à propriedade, sofrem com a falta de uma legislação para o setor, têm altos níveis de corrupção, práticas comerciais arbitrárias, altos impostos, governança deficiente, infraestrutura ruim e acesso deficiente aos serviços públicos. O estudo conclui que estas barreiras acabam por afastar os investimentos em locais que deveriam atraí-los.
A FAO cobra que se faça um “melhor uso dos limitados recursos públicos” em áreas que possam crescer e ajudar na redução da pobreza, como promover a pesquisa, o desenvolvimento, estabelecer uma infraestrutura rural e educação. Também afirma que investir nesses setores pode trazer mais benefícios do que dar subsídios agrícolas.
“A palavra-chave é boa governança. Precisamos assegurar que os investimentos encontrem condições que possam contribuir com a segurança alimentar e a sustentabilidade do desenvolvimento local”, afirmou o secretário-geral da FAO, José Graziano da Silva, na divulgação do relatório.

