São Paulo – O Projeto Halal do Brasil recebe nos dias 24 e 26 de agosto potenciais importadores de alimentos processados do Brasil durante o Projeto Comprador. Nesta terça-feira (5), as oportunidades de negócios com o mercado halal e a programação do Projeto Comprador foram apresentadas durante o webinar “Do Brasil ao mundo islâmico: conectando empresas ao mercado halal global”.
Halal são produtos feitos de acordo com as regras do Islã e que podem ser consumidos pelos muçulmanos. Não podem, por exemplo, conter traços de carne suína nem álcool. Mesmo não sendo um país majoritariamente islâmico, o Brasil é o maior produtor mundial e fornecedor de proteína halal aos 57 países islâmicos, entre eles nações árabes e não árabes.
O Projeto Halal do Brasil é uma parceria da Câmara de Comércio Árabe Brasileira com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) para promover no exterior os produtos halal feitos no Brasil. Entre suas ações, promove a participação de rodadas de negócios, participação de empresas brasileiras em feiras no Brasil e no exterior e realiza road shows pelo País para apresentar oportunidades no mercado halal.
A gerente de Projetos de Internacionalização da Câmara Árabe, Fernanda Dantas, apresentou os compradores que virão para o País para se reunir com os exportadores e afirmou que o foco desta edição do Projeto Comprador será colocar em contato compradores e vendedores de alimentos e bebidas processados.
Já estão confirmadas as participações dos varejistas Alzaeem, do Bahrein; Hyper1, do Egito, o distribuidor SKM Tejaree, da Jordânia, e a rede de lojas de conveniência Circle K, também do Egito. Outras duas empresas que ainda serão confirmadas participarão do projeto. Ainda de acordo com Dantas, o Projeto Comprador é uma oportunidade para empresas brasileiras se reunirem com potenciais clientes estrangeiros a um custo menor do que o de uma viagem.
Gerente de Inteligência de Mercado da Câmara Árabe, Marcus Vinícius apresentou em números o potencial do mercado muçulmano de alimentos e bebidas. Este segmento da economia islâmica deverá crescer 35% entre 2023 e 2028, quando será um mercado de US$ 1,9 trilhão. Em 2024, os países islâmicos importaram US$ 271 bilhões em alimentos, dos quais a Arábia Saudita foi o principal cliente, responsável por 10% desse total, seguida por Emirados Árabes Unidos (9%) e Malásia (8%). O Brasil foi o principal fornecedor de alimentos, com 11% do total exportado, seguido por Índia (7%) e Rússia (6%).
“Alimentos processados são oportunidade de consumo nestes países e produtos congelados são um atrativo para esta população [islâmica]. Estes países [do Golfo] também podem ser um polo de reexportação para Ásia, África e Europa. Também observamos que há uma população que não é islâmica e que vê no halal um selo de qualidade”, afirmou Marcus Vinícius.
Professor de Logística de Suprimentos e de Logística de Produção na Universidade do Vale do Itajaí, em Santa Catarina, Luiz Eduardo Simão apresentou o painel “A logística entre Brasil e países islâmicos – cenário atual”. Ele destacou que o mercado islâmico não é um nicho, mas, o maior foco de consumo emergente, com uma população de dois bilhões de pessoas.
Simão afirmou que há oportunidades de negócios a ser exploradas em setores como saúde, fármacos, construção, tecnologia e moda, mas citou como desafios para as exportações aos países islâmicos a necessidade de transbordo de carga, o que pode danificar produtos delicados ou refrigerados. Ele citou também instabilidades geopolíticas e a volatilidade no custo do frete. Também disse que obter certificação halal é essencial para conquistas clientes. “Certificação halal não é custo, é investimento. É um ativo que diferencia os produtos brasileiros e abre portas”, disse.
Também estiveram no webinar representantes das empresa Timbro e Grupo Holen, duas tradings que já fazem negócios com clientes islâmicos e árabes. CEO do Grupo Holen, Márcia Holen afirmou que o maior desafio para se fazer negócios com o mercado halal não é acessar este mercado, mas se preparar para atuar nele. Disse também que os resultados não são imediatos, porém, quando um cliente se estabelece, os vínculos tendem a ser duradouros. “O preço é importante para fechar negócio, mas a confiança é mais importante. O mercado halal não é difícil, mas é profissional”, afirmou. Mais informações sobre o Projeto Comprador estão disponíveis neste e-mail.
Leia mais:
Projeto Halal oferece curso gratuito


