São Paulo – O petróleo barato poderia ser uma boa notícia para que a maioria dos países do G20, o grupo das maiores economias do mundo, promovesse reformas internas que estimulassem o desenvolvimento econômico e o controle de gastos. O relatório “Perspectivas globais e desafios políticos” divulgado nesta sexta-feira (06) pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) afirma que outros fatores, no entanto, superam os benefícios que o preço baixo do petróleo poderia gerar. Entre esses fatores estão baixo investimento e previsão de crescimento pequeno no médio prazo.
Como resultado, o próprio documento revisou a expectativa de crescimento dos países em 0,25% para baixo em 2015 e em 2016. Agora, a previsão do Produto Interno Bruto (PIB) destes países registre crescimento de 3,5% neste ano e de 3,7% no próximo.
Entre os desafios, o documento cita o risco de deflação na Zona do Euro e no Japão e afirma que o programa de compra de títulos de países europeus para injetar dinheiro no mercado local é “bem-vindo”. No caso dos países emergentes que integram o G20, o Fundo observa que as moedas de algumas destas nações estão se desvalorizando. Os emergentes também estão enfrentando uma queda acentuada nas receitas com exportações de commodities, fatores que afetam diretamente a renda e a demanda.
De uma forma geral, o Fundo afirma que as previsões que faz para a economia dos países emergentes são agora mais “fracas” do que aquelas que haviam sido realizadas em outubro do ano passado porque o preço do petróleo está baixo e o de outras commodities também. “Em particular, a previsão de crescimento para a América Latina foi reduzido. Embora acredite-se que alguns exportadores de commodities, notavelmente a Arábia Saudita, usem suas reservas fiscais, o espaço para apoiar políticas monetárias e fiscais em outros exportadores é mais limitado”, afirma o documento.
A previsão é que a economia brasileira cresça 0,3% neste ano e 1,5% em 2016, com revisões para baixo, de 1,1% para 2015 e 0,7% para 2016. A Arábia Saudita deverá ter expansão de 2,8% e 2,7%, respectivamente, mas a previsão de crescimento foi reduzida em 1,6% para 2015 e em 1,7% para 2016.
Sugestões
O FMI afirma, porém, que em todos os países do bloco analisado é necessário implantar políticas “fortes”, que induzam o crescimento e acabem com os riscos ao desenvolvimento econômico. O Fundo recomenda o estímulo à ampliação da infraestrutura em países desenvolvidos que têm essa necessidade e que precisam suprir déficits de produção. Cita, como exemplo, os Estados Unidos e a Alemanha.
Já as soluções para os países emergentes variam. No caso de Brasil, Índia, Turquia e África do Sul, o Fundo recomenda que mantenham a consolidação fiscal já em curso como forma de reduzir déficits e inflação. Para Brasil, Índia e África do Sul há, ainda, a recomendação para que invistam em infraestrutura como forma de evitar gargalos. Outros, como os exportadores de petróleo, terão que aperfeiçoar seu sistema monetário para evitar a depreciação da sua moeda e a inflação elevada.
Aos países emergentes em geral, o Fundo recomenda uma reforma energética que retire os subsídios à compra de combustível e que usem essa economia em “transferências mais direcionadas” e para reduzir o déficit orçamentário.
O G-20 é formado por Austrália, Argentina, Brasil, Canadá, China, França, Alemanha, Índia, Indonésia, Itália, Japão, Coreia do Sul, México, Rússia, África do Sul, Arábia Saudita, Espanha, Turquia, Reino Unido e Estados Unidos.


