São Paulo – A Cisjordânia e a Faixa de Gaza só devem fazer investimentos neste ano se as doações permitirem, não podem aumentar o gasto público, precisam reduzir seu déficit para 10,4% do Produto Interno Bruto (PIB) e combater as altas taxas de desemprego da população. Essas foram algumas das conclusões a que chegaram técnicos do Fundo Monetário Internacional (FMI) após avaliarem as condições econômicas das regiões administradas pela Autoridade Palestina (AP) e que constam do relatório “Experiência recente e perspectivas da economia da Cisjordânia e Faixa de Gaza”, divulgado no final de semana.
O FMI observa que, em 2011, a Autoridade Palestina recebeu menos doações para manter o orçamento corrente. O orçamento previsto era de US$ 1 bilhão, mas a AP recebeu US$ 800 milhões. As doações foram menores, também, para projetos de desenvolvimento. A AP recebeu US$ 200 milhões dos US$ 500 milhões previstos.
“Essas deficiências, além da receita obtida abaixo do esperado em um contexto de fraco crescimento econômico, levaram a um atraso de US$ 500 milhões em pagamentos ao setor privado e ao fundo de pensões público. Houve também um aumento do endividamento doméstico de cerca de US$ 140 milhões, o que elevou a dívida do governo com o sistema bancário para US$ 1,1 bilhão”, avalia o Fundo. Essa dívida representa 11% do PIB palestino.
Em 2011, o PIB da Cisjordânia desacelerou e cresceu 5,7%. A média de crescimento entre 2008 e 2010 foi de 9%. A taxa de desemprego na região atinge 17% da população. Já na Faixa de Gaza, o desemprego permanece em torno de 30%, mas o crescimento em 2011 manteve o patamar de 20%. Segundo a avaliação dos técnicos do FMI, a alta taxa de desemprego reflete a “natureza desigual do crescimento” porque a atividade econômica dos territórios palestinos é limitada pelas restrições de Israel.
Isso afeta principalmente as exportações. O FMI estima que as exportações da Palestina para Israel caíram 24% entre 2008 e 2011, por causa do aumento das barreiras impostas pelo vizinho. As vendas dos palestinos para outros países passam por Israel antes de seguir para o seu destino.
Segundo o FMI, a Autoridade Palestina precisará conter o aumento no custo de vida para que, assim, não precise gastar mais com salários. O governo local deve evitar novas contratações. Já os projetos de desenvolvimento só deverão ser implementados se houver dinheiro proveniente de doações para este objetivo. Para aumentar a receita, os palestinos precisam ampliar seu sistema de arrecadação de impostos.
O Fundo recomenda que as autoridades palestinas adotem medidas para aumentar a eficiência do setor público para reduzir a sua dependência de doações. Isso inclui, por exemplo, realizar “abrangentes” reformas previdenciárias, fortalecer a rede de segurança social e garantir a transferência de energia elétrica dos municípios para as empresas.

