Fundos do Kuwait querem investir no Brasil, diz embaixador

Novo representante diplomático do país árabe em Brasília, Nasser Almotairi visitou a Câmara Árabe e disse à ANBA que uma de suas prioridades é fortalecer as relações econômicas.

Alexandre Rocha
alexandre.rocha@anba.com.br

São Paulo – O novo embaixador do Kuwait no Brasil, Nasser Riden Almotairi (esq., na foto), terá como uma de suas principais missões fortalecer as relações econômicas entre os dois países. “Nós acreditamos que há muitas oportunidades para investimentos aqui [no Brasil]”, disse ele à ANBA durante visita à Câmara de Comércio Árabe Brasileira, em São Paulo, nesta quinta-feira (10). O diplomata foi recebido pelo presidente da entidade, Rubens Hannun (dir., na foto), e tem uma agenda de reuniões com empresas e outras instituições privadas até esta sexta-feira (11).

Ele disse, por exemplo, que o Fundo do Kuwait para o Desenvolvimento Econômico Árabe (KFAED, na sigla em inglês), organização que financia projetos em países em desenvolvimento, tem interesse em empreendimentos na área de infraestrutura no Brasil. “Este é um país rico em oportunidades”, afirmou Almotairi. O novo governo brasileiro pretende atrair investimentos por meio de privatizações e concessões.

Almotairi: Brasil é um país rico em oportunidades

O diplomata citou também a Kuwait Investment Authority (KIA) e outros fundos soberanos do país como instituições que podem ter interesse em investimentos no Brasil. Entre os setores em potencial, ele destacou também os de energia e agronegócio. “A agricultura é um dos [setores] mais importantes, por causa da segurança alimentar”, destacou.

O Kuwait e os demais países do Golfo são deficitários na produção de alimentos, em função do clima desértico, e dependem das importações. Os investimentos em projetos agropecuários no exterior ajudam a garantir o abastecimento dos mercados da região.

Almotairi disse que os fundos do Kuwait têm investimentos ao redor do mundo. Os financiamentos realizados pelo KFAED, por exemplo, chegam a mais de US$ 21,5 bilhões em 109 países, segundo informações do site da instituição. Já a KIA gerencia ativos no valor US$ 592 bilhões globalmente e é o quarto maior fundo soberano do mundo neste quesito, segundo o Sovereign Wealth Fund Institute (SWFI).

Na seara comercial, as exportações do Brasil ao Kuwait somaram US$ 227,3 milhões no ano passado, um aumento de 2,1% sobre 2017, segundo dados da Câmara Árabe. Na outra mão, o Kuwait vendeu ao Brasil o equivalente a US$ 212,9 milhões, um crescimento de 57,3% na mesma comparação. “Nosso alvo é melhorar estes resultados, vamos trabalhar para isso”, comentou o embaixador.

O principal produto exportado pelo Brasil ao Kuwait é carne de frango, de longe, mas o País vendeu em 2018 também milho, madeira serrada, sucos de frutas e calçados. No sentido contrário, os kuaitianos venderam ao mercado brasileiro principalmente combustíveis e fertilizantes.

Almotairi vai se encontrar em breve com autoridades brasileiras para discutir as relações econômicas. Na Câmara Árabe, o diplomata estava acompanhado do primeiro secretário da embaixada do Kuwait em Brasília, Ibrahim Altourah.

Acordos

Ele acrescentou que o Kuwait tem nove acordos assinados com o Brasil em diferentes áreas, e estão em discussão mais três, um sobre troca de informações tributárias, outro sobre isenção de vistos para diplomatas e autoridades em serviço, e um último sobre facilitação de investimentos.

O embaixador contou que entrou no serviço diplomático em 1988, e seu primeiro cargo no exterior foi como adido no Irã. Ele trabalhou também na embaixada de seu país em Paris, foi cônsul-geral no Paquistão e embaixador na Bósnia-Herzegovina. Almotairi substitui no Brasil o colega Ayadah AlSaidi, que deixou o posto em agosto de 2018.

Câmara Árabe
Alexandre Rocha

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