‘Inesquecível’, diz Drauzio Varella sobre Líbano e Jordânia

O médico brasileiro contou à ANBA suas impressões sobre os primeiros países árabes que conheceu. Varella viajou para gravar um documentário sobre os Médicos Sem Fronteiras.

Thais Sousa
tsousa@anba.com.br

São Paulo – Após visitar países árabes pela primeira vez este ano, o médico brasileiro Drauzio Varella contou à ANBA as impressões que teve quando viajou ao Líbano e à Jordânia para produzir o documentário “Drauzio em campo: Líbano e Jordânia“. Ouça e leia o depoimento dele abaixo:

 

“Antes dessa viagem para fazer os vídeos sobre [a organização humanitária] Médicos Sem Fronteiras no Líbano e na Jordânia, eu não conhecia nenhum país árabe, e tive uma surpresa muito grande. Primeiro porque os árabes são muito simpáticos a nós, brasileiros. Muitos deles têm parentes no Brasil. A imigração, especialmente a imigração libanesa e síria, foi muito intensa no Brasil a partir do século passado. A hospitalidade árabe, né? Aquela coisa de ‘Vamos servir o almoço, dá pra mais dez pessoas sentarem à mesa’.

‘Os árabes são muito simpáticos a nós, brasileiros’

O que mais me deixou impressionado foi a diversidade, a dificuldade de estabelecer critérios que levem a paz à essa região. Nós estivemos em vários campos no Líbano, com muitos refugiados. Tivemos em Majdal Anjar e em Arsal, especificamente, e vimos as condições precárias em que as pessoas vivem lá.

Por outro lado, o Líbano, que tem 4 milhões e pouco de habitantes, quer dizer, na verdade está recebendo uma quantidade absurda de sírios. Mais de um milhão de pessoas! E quando você vê os países europeus e os Estados Unidos, o que estão fazendo para restringir o fluxo de imigrantes, muitas vezes com uso da força bruta… E você vê o que o Líbano recebeu, mais de 20% da população [do país] veio de fora. Um número absurdo. E, de uma maneira ou de outra, eles conseguiram proteger essas pessoas da guerra que se trava lá no interior da Síria e em outros países da região.

‘Vou lembrar daquelas imagens, […] especialmente das crianças’

A experiência foi muito interessante. O trabalho de Médicos Sem Fronteiras lá é muito importante. Essa capacidade de levar atendimento médico aos mais necessitados.

A experiência foi ótima. Inesquecível. Acho que se eu viver mais 20 anos, eu vou lembrar das imagens, daqueles campos em que os refugiados ficam. E especialmente das crianças. E você fica pensando, qual será o futuro delas?”

Reprodução / Documentário
Reprodução / Documentário
Reprodução / Documentário

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