São Paulo – O fluxo de investimentos estrangeiros diretos (IED) para 13 países da América Latina e Caribe somaram pouco mais US$ 84 bilhões no primeiro semestre, uma redução de 23% em comparação com o mesmo período do ano passado, de acordo com dados divulgados nesta quinta-feira (23) pela Comissão Econômica das Nações Unidas para a América Latina e o Caribe (Cepal).
No Brasil, porém, o fluxo de IED está em crescimento. O país recebeu US$ 42 bilhões de janeiro a agosto de 2014, um aumento de 8% sobre os oito primeiros meses de 2013, segundo a Cepal e o Banco Central brasileiro. Para Brasil e Chile a organização utilizou dados de janeiro a agosto, já divulgados, ao passo que para os demais países foram usadas as informações referentes ao período de janeiro a junho.
O mês de agosto foi especialmente positivo para o País. O fluxo de IED somou US$ 6,84 bilhões, um crescimento de 81% em relação ao mesmo mês do ano passado. Em 2013 inteiro, a entrada de IED foi de quase US$ 64 bilhões e o governo estima que 2014 irá terminar com um fluxo semelhante. O Brasil é a nação que mais recebe investimentos estrangeiros diretos na região.
De acordo com a Cepal, o desempenho negativo da região foi influenciado principalmente pelo México, onde houve um recuo de 66% no fluxo de IED. Isso ocorreu porque o montante recebido pelo país no primeiro semestre do ano passado foi excepcionalmente alto em função da compra da cervejaria mexicana Modelo pela belgo-brasileira AB InBev. Além disso, houve nos seis primeiros meses de 2014 um desinvestimento de quase US$ 4,5 bilhões com a saída da norte-americana AT&T do quadro acionário da mexicana América Móvil.
Além da ausência de grandes operações de fusões e aquisições transnacionais, a Cepal aponta como motivo da redução do fluxo de IED na região o arrefecimento do interesse pelo setor de mineração em função da queda dos preços dos metais no mercado internacional.
No Chile, por exemplo, onde a mineração tem especial importância, os investimentos estrangeiros diretos recuaram 16% entre janeiro e agosto deste ano, em comparação como o mesmo período de 2013. Já a Argentina teve uma saída líquida de US$ 55 milhões por causa do desinvestimento da espanhola Repsol na petrolífera argentina YPF.
A Cepal destaca também que o fluxo de IED caiu no Peru (18%), Costa Rica (21%), El Salvador (67) e Venezuela (54%), mas aumentou 9% no Uruguai, 10% na Colômbia e 26% no Panamá. Ocorreu crescimento ainda na Guatemala (3%) e na República Dominicana (20%).
Em contrapartida ao desempenho da região, a organização informa que o fluxo global de IED aumentou 10% ao longo deste ano, principalmente pela retomada de investimentos nos países desenvolvidos. Vale lembrar que a movimentação mundial ainda está abaixo do recorde registrado em 2007, antes da crise financeira internacional.
Dinheiro latino
Na outra mão, os investimentos diretos feitos pelos países da região no exterior aumentaram 78% para US$ 17,6 bilhões, depois de terem caído no ano passado. Segundo a Cepal, com exceção do México, todas as nações com “translatinas importantes” ampliaram seus aportes no exterior. No caso do Chile e do Brasil, mais uma vez foram utilizados os dados de janeiro a gosto, ao passo que para os demais, foram usadas as informações do primeiro semestre.
Na seara brasileira, o fluxo de IED para fora ficou positivo nos oito primeiros meses de 2014 pela primeira vez desde 2010. O total registrado foi de US$ 1,344 bilhão. A organização informa que os fluxos negativos de dívidas entre as matrizes e filiais de companhias brasileiras seguem semelhantes aos de 2013, o que mostra continuidade da prática das empresas de contrair financiamentos externos, mas este movimento foi compensado pelo avanço de 48% nos aportes de capital feitos a partir do Brasil.
Cresceram também os fluxos de IED originários do Chile (8%), Venezuela (29%), Colômbia (65%) e Argentina (105%).


